Campanha do agasalho: voluntariado “oldschool” sim! (Enquanto pessoas ainda passarem frio)

Influenciadores, gestores e estudiosos do voluntariado corporativo e da gestão de projetos sociais defendem as iniciativas estruturadas como um avanço temporal e metodológico sobre as filantrópicas e assistencialistas. Do ponto de vista de transformações e impacto isso é verdade. Contudo, situações de necessidades urgentes insistem em repetir anualmente, como é o caso de pessoas passando frio nas ruas, ou sem acesso à assistência básica. Sinal de que as propostas públicas e privadas de resoluções ainda não surtiram completo efeito. Enquanto isso, o frio aperta, e esse post traz sugestões criativas para uma ação de voluntariado oldschool: a campanha do agasalho.

É natural os voluntários, que são pessoas com empatia às necessidades alheias, trazerem para o programa de voluntariado a ideia de realizar uma campanha do agasalho, e o sentimento é ajudar quem não tem como se aquecer no inverno.

Em geral, essas iniciativas são simples, geram bons resultados e não interferem na sua estratégia. Que tal ainda se, para além de doar roupas, a sua ação de voluntariado oferecer um pouco mais de tempo, carinho, solidariedade e aquela habilidade especial que os colaboradores da sua empresa têm?

Primeiro passo: definir os beneficiários.

Antes de começar uma coleta, vale fazer uma reunião e um mapeamento para saber a quem e onde doar. Pode ser uma comunidade próxima, moradores de rua, uma ONG parceira ou uma campanha pública.

Algumas prefeituras, por exemplo, organizam coletas e pontos de distribuição. É o caso das de São Paulo (veja o site da campanha) e Porto Alegre (veja os pontos de coleta).

Se definir ajudar um público específico, crianças ou idosos, por exemplo, essa demanda vai influenciar e nortear sua campanha inteira.

Segundo passo: organizar a campanha do agasalho propriamente dita.

Isto se faz mobilizando sua empresa, amigos, família e vizinhança com cartazes, e-mails e mensagens via redes sociais. Para atrair mais gente, faça uma arte caprichada (veja alguns exemplos abaixo). Essas formas de comunicação devem mostrar onde deixar o agasalho, o prazo de entrega e lembrar que doar peças em bom estado é fundamental. Nada de meia furada, casaco rasgado ou cheio de sujeira.

Peça também para as pessoas deixarem tudo dobrado, para facilitar a distribuição. Outra ideia é separar uma caixa para cada tipo de roupa. Assim, a pessoa que for receber pode escolher o que mais lhe interessa.

Tem voluntário apto para tudo: fazer a comunicação, angariar os itens, uns para a separação, organização e triagem das peças, e outros para entregar.

Exemplos de comunicação para inspirar a sua empresa (lembre-se que são inspirações, atentem-se aos créditos 🙂 ).

  • Agasalhos Salvam Vidas (Exército da Salvação)

Crédito: Exército da Salvação (Agência: WMcCann)

Nesta campanha do Exército de Salvação as peças para mídia mostram um extintor de incêndio e uma boia, feitos com o mesmo material de agasalhos. O objetivo é mostrar que assim como esses objetos, a solidariedade em doar na época mais fria do ano também pode salvar vidas.

  • Campanha do Agasalho 2010 (Prefeitura de São Paulo)

Crédito: Prefeitura de São Paulo

Sob o mote “Quanto mais gente, mais quente”. Uma “caixa termômetro” dá o tom da ação, que mostra a temperatura subindo conforme as roupas são doadas.

  • Campanha do Agasalho Doctor Clin 2013

Crédito: Doctor Clin

Ação solidária que incentivou a doação de roupas, calçados e cobertores que as pessoas não usavam mais para ajudar a aquecer quem realmente precisava.

 Terceiro passo: Organize uma entrega com mais pessoalidade

Nunca deixe as roupas e vá embora, o ideal nesses casos é fazer a ação de doação acompanhada de outras, ainda que seja uma sopa.

No caso de encaminhar agasalhos para instituições, bole ações de entrega em que os voluntários possam passar algum tempo com o público beneficiário, por exemplo:

  • um desfile de moda com os itens doados;
  • saraus com chocolate quente e contação de histórias;
  • ações de integridade e saúde como: cortes de cabelo, de beleza, de cuidados pessoais.
  • integrações por brincadeiras e atividades físicas;

E por aí vai! Torne a entrega mais pessoal, crie vínculo e laços com o público beneficiado. Se é uma ação cujo mote é a solidariedade, a proposta é exercitar nosso lado humano.

Experimente outros formatos

Aqui entra a possibilidade de fazer algo diferente. Que tal inovar nesse momento? A campanha “Amor no Cabide”, por exemplo, sugere que as roupas sejam penduradas em cabides, que podem ser espalhados pela cidade acompanhados de mensagens de fraternidade. A ideia, segundo os organizadores, é “doar amor através de agasalhos”. Para isso, disponibilizam cartazes para qualquer um imprimir em casa.

A campanha “Street Store” (lojas de rua, em inglês) vai na mesma linha. Nascida na África do Sul a iniciativa busca dar mais dignidade a pessoas em situação de pobreza que recebem agasalhos durante o inverno. Em vez de simplesmente entregar as peças, a ideia é montar uma espécie de loja na rua (daí o nome), com araras e cabides, e deixar que cada um escolha o que desejar. No site da campanha (em inglês), há materiais gratuitos em português para download, como o cartaz abaixo.

Outra iniciativa interessante é a do pessoal do “Cozinheiros do Bem”, da capital gaúcha. Eles organizam campanhas e, para promover a entrega, organizam churrascos com os beneficiados. Servem boa comida, disponibilizam roupas e, em troca, ganham afeto e lições de vida.

Há também a turma do “Minigentilezas”, que tem diversos pontos de coleta de pequenos mimos que as pessoas recebem em viagens e acabam não utilizando, como sabonetes, pasta de dente e shampoo. Seu grupo pode entrar em contato com esse pessoal e sugerir, por exemplo, a entrega de kits completos de higiene, acompanhados de roupas. Ou fazer esta ação por conta própria.

O que vale é aquecer o corpo e a alma de quem mais precisa!

Gostou? Vai fazer?

Conte pra gente como foi ou como será!

Pergunta para pensarmos:

Como garantir que no próximo ano pessoas não passem frio por falta de recursos?


 

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