Parcerias pelo Voluntariado – usando a antroposofia para gerar relações de qualidade

Em um Programa de Voluntariado é comum o jargão “juntos somos mais fortes”. Essa máxima vale não só para pessoas atuando em grupo, mas também para organizações. Neste post, vou explorar algumas maneiras de pensar parcerias de qualidade através da Antroposofia – um nome estranho que reflete um conceito simples.

A Antroposofia nos oferece uma visão integrada do ser humano e das organizações. Nessa ótica há um conceito chamado “quadrimembração” (oi?) e é com essa introdução com palavras difíceis que anuncio esse post organizado para facilitar sua vida (sim!) e criar insights sobre formas de realizar ações voluntárias em parceria com outras empresas. Como identificar essas oportunidades? Leia abaixo.

Em primeiro lugar vamos começar com a imagem abaixo:

Fonte: http://npu.com.br/acreditamos/

Que na real, é uma derivação dessa:

Adaptado de https://pt.slideshare.net/acspdigital/coaching-para-jornalistas-acsp

E tudo isso é para dizer que nossas organizações (empresas, instituições) são espelhos de como funcionamos organicamente enquanto indivíduos e sociedade. E a quadrimembração conforme as figuras acima, nos apresenta que tanto o ser humano quanto as organizações são formadas por quatro níveis, comparativamente:

Essa apresentação em Powerpoint explica tudo direitinho se quiser saber mais.

E sobre esses níveis, apresentaremos as dicas de como você pode situar o seu Programa de Voluntariado em cada um deles e estabelecer possibilidades de parcerias. O objetivo é formar um sistema, ou seja, uma sequencia racional onde possamos juntos, mapear o máximo de possibilidades.

Vamos então passar às dicas por níveis, e fazer esse exercício?

1- Nível dos recursos

Toda empresa estabelecida possui recursos: financeiros, humanos e físicos. Ao planejar seu projeto, pensar de forma coletiva sobre os recursos necessários ajuda a criar uma rede de prosperidade em favor do custeio das ações voluntárias. Considere para a formação da sua rede as empresas vizinhas, do mesmo setor, fornecedores ou clientes. Então, você pode começar mapeando os recursos da sua a fim de que amparem de certa forma o seu Programa de Voluntariado. Por exemplo:

  • Salas de treinamento para dar cursos e capacitações para a comunidade;
  • Meios de transporte como carros da empresa que possam ajudar no traslado de doações;
  • Bens que serão substituídos, mas podem ser reaproveitados em instituições: mesas, cadeiras, computadores.
  • Pessoas bem intencionadas para cooperar em todo tipo de trabalho voluntário, numa palheta de competências bem variadas.

Além de mapear os recursos da sua empresa, vale ir um pouco além e pensar: como empresas parceiras podem colaborar com seu projeto de voluntariado no âmbito dos recursos? E, em contrapartida, quais são os recursos que a sua empresa pode oferecer?

2- Nível dos processos

Já aconteceu de você “prometer” algo a algum potencial parceiro, ou encherem-se de boas ideias, e em seguida o projeto e toda a empolgação serem barrados internamente?

“Isso só acontece comigo!” ou “não está sendo fácil”, você pode pensar, seguido um sentimento de desmotivação. É por isso que propor parcerias sem o olhar sobre os próprios processos pode ser um erro.

O que precisa ficar claro para que você não se desaponte é que, para a entrega dos objetivos, todas as empresas envolvidas possuem processos melhores ou menos desenhados. Eles podem ser mais práticos ou mais burocráticos a depender da maturidade e tamanho do negócio, das exigências do setor como os padrões de segurança, meio ambiente, compliance, etc. E, como parte da empresa, ainda que através de uma Fundação ou Instituto social, você precisa conhecê-los ao máximo!

Identifique os processos da sua empresa: os de produção e logísticos, de comunicação, jurídicos, dentre outros. O fato é que os processos estão no seu dia a dia e podem ser alinhados à gestão do voluntariado.

Pensando na prática: em que medida esses fluxos podem beneficiar o projeto de voluntariado ou suas parcerias? Alguns exemplos:

Processos de RH

  • Os demonstrativos de pagamento podem receber dicas de educação financeira e de como repassá-las para a família e as comunidades com as quais as empresas parceiras se relacionam.
  • O processo de ponto eletrônico pode receber a alternativa de justificativa de horas de trabalho dedicadas ao trabalho voluntário. Um sistema automatizado de ponto pode te enviar informações sobre essas horas na periodicidade que precisar, auxiliando na mensuração do intercâmbio entre os colaboradores de empresas diferentes.

Processos de marketing

  • O fluxo de aprovação de peças de comunicação interna e externa podem também ser usados, caso facilitem, a aprovação das peças de comunicação da parceria e do uso das marcas.

Processos jurídicos

  • Cheque com seu jurídico ou compliance quais são os modelos de parcerias que você pode adotar, além de como se proteger e proteger a relação que será firmada. O quanto ela precisa ser formalizada? Quais são as regras de divulgação? De segurança? E de uso de imagens? Peça ajuda e repita mentalmente: “o jurídico é meu amigo”. 🙂

Processos de logística

  • Sistemas de malotes internos podem ser usados para envio de materiais do voluntariado para as unidades da empresa. Também pode-se aproveitar da empresa parceira que possui maior capilaridade e veículos de distribuição.

Processos próprios dos projetos voluntariado

  • Processos de diálogo com a comunidade e de planejamento podem ser realizados em conjunto com lideranças locais e representantes das empresas parceiras, de forma a evitar sobreposição de ações e favorecer a complementariedade.
  • Processos de capacitação e reconhecimento de voluntários podem ser realizados em conjunto.
  • Processos de avaliação podem ser realizados em conjunto quando o trabalho é realizado numa mesma organização ou território.

Processos não ocupam espaço físico! Mas ocupam espaço no tempo, e a ideia é que com eles você possa aperfeiçoar o projeto social do qual é responsável. É um exercício de gestão que vale a pena ser feito, e ajuda muito na hora de propor parcerias, pois demonstra que você tem em mente o todo da sua ação.

Uma vez mapeados, em qual parte do seu processo você imagina que seria oportuno um ou mais parceiros?

Vai anotando tudo num papelzinho aí…

3- Nível das relações

Provavelmente você precisará se comunicar interna e externamente. Internamente com lideranças, com áreas internas, e na convocação de voluntários. Externamente com a rede de parceiros e o público beneficiário.

Se as parcerias são o “core” das relações, é importante saber responder, em termos de estratégia,  a quais dos âmbitos abaixo elas corresponderão:

  • Territorial (empresas situadas ou com impacto num mesmo território).
  • Da área do produto/serviço prestado pelas empresas.
  • Na cadeia de fornecedores e prestadores de serviços.
  • Em sinergia com causas globais.

Alianças entre organizações ganham forças de negociação, e o conjunto de empresas realizando uma ação tende a ser  mais forte, aumentando as chances de engajamento dos stakeholders.

Dicas para pensar as parcerias no nível das relações:

  • Associar à agenda do setor: buscar os conselhos de voluntariado locais, ou o Conselho Brasileiro de Voluntariado, pois provavelmente estão buscando empresas parceiras para ações já planejadas.
  • Capacitar de forma coesa: caso as empresas parcerias atuem em conjunto com as mesmas ONGs, essas podem passar por uma única interlocução de capacitação, fazendo com que sejam menos acionadas.
  • Compartilhar um único espaço virtual onde divulgam ou buscam oportunidades de voluntariado.
  • Aproveitar os relacionamentos mais estabelecidos: em quais mídias deseja fazer a comunicação externa? Qual das empresas parceiras possui maior parceria com esses veículos?
  • Observar se o conjunto de empresas parceiras possui algum órgão representante que possua interlocução com órgãos governamentais, caso seja necessário esse tipo de mediação.
  • Compartilhar e fortalecer dados: internamente as pesquisas de engajamento comunicam e mensuram a opinião dos funcionários com as ações sociais da empresa? Geram maior orgulho de pertencer? Esses aprendizados podem ser somados ou comparados setorialmente, com um conjunto de empresas da mesma área de negócio?
  • Formar lideranças: um projeto de voluntariado feito com empresas parcerias pode ser um ambiente para capacitações de lideranças de ambas.

Atenção para um zelo conceitual: em um nível mais avançado não estamos falando da sua empresa apenas patrocinar alguma ação de voluntariado de outra empresa, ou de fazer captação de recursos, mas sim de se posicionar como uma empresa que compreende seu sistema social e atua em redes de colaboração.

4- Nível de identidade

Há uma atenção nesse aspecto: os idealizadores em geral, quando pensam em parcerias, tendem a começar a pensá-las pela identificação nesse nível sem antes terem mapeados os seus recursos físicos, processuais e de relações, correspondentes aos tópicos anteriores.

Pessoalmente, acredito que começar por uma ótica tão ampla, e às vezes mais universal como a de identidade, pode dificultar, e por isso sugiro deixá-la por ultimo, como uma espécie de “amarração” estratégica.

Para isso sugiro algumas perguntas norteadoras:

  • Qual a visão, missão e valores da sua empresa? Elas são expressas pelos fundadores ou por uma cultura organizacional?
  • Qual o negócio fundamental da sua empresa? Para quem ele entrega e do que ele depende?
  • Quais são as causas sociais diretamente associadas aos impactos ou ao tema do seu negócio? Exemplo: se você trabalha com equipamentos médicos, pode encontrar causas de voluntariado relacionadas ao tema da saúde. (Em um post mais antigo, já falamos sobre como alinhar o seu programa de voluntariado ao negócio.

Depois de fazer esse mapeamento em relação à identidade, fica mais fácil fazer um match com as empresas que tem objetivos semelhantes, ou que agreguem à sua estratégia de parcerias, para que possam propor e unir os esforços.

 

Conclusão:

Em resumo da lógica da quadrimembração apresentada, grupos de empresas atuando pela mesma causa, compartilhando talentos, processos e recursos, e assim motivando umas as outras,  parece ser um elemento do presente e o futuro das ações sociais.

O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 17 (Parcerias e Meios de Implementação: Fortalecer os meios de implementação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável) já preconiza essa atuação em parceria. Acompanhe aqui como anda essa conversa.

Para manter o projeto aliado à agenda global do voluntariado vale a pena acompanhar alguns órgãos globais e regionais que apoiam parcerias entre empresas e instituições em favor do voluntariado:

  • IAVE (International Association for Volunteering Efforts).
  • CLAVE (Conselho Latinoamericano de Voluntariado Empresarial).
  • UNV (The United Nations Volunteers).

Quer estabelecer redes de colaboração no seu projeto de voluntariado?

Na próxima SEXTA (13/04), entre as 10h – 12h estarei online, para responder, em conversas individuais, perguntas sobre tudo isso, e também para ajudar a pensarmos juntos sobre parcerias a partir dessa ótica.

Tem interesse? Basta adicionar no facebook brunobarcelosm@gmail.com e chamar pelo chat durante esse horário.

Gostou? Tem mais dicas?

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