Dia Internacional da Mulher: caminhos para construção de uma sociedade mais justa

No dia 8 de março é comemorado o Dia Internacional da Mulher. Nesta data, celebramos todos os direitos e avanços que as mulheres conquistaram ao longo de décadas. Entre eles, uma das conquistas mais significativas é o direito de trabalhar sem a necessidade da permissão do pai, do marido ou de qualquer outro homem da família. Além disso, a data oficializada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1970 busca mobilizar a sociedade para garantir direitos, combater a violência contra a mulher e promover a igualdade. 


Segundo o Global Gender Gap Report 2025, divulgado pelo Fórum Econômico Mundial, o mundo ainda levará 123 anos para atingir a paridade total de gênero. O relatório, que acompanha a evolução da igualdade há 20 anos, aponta que a média global de paridade de gênero atingiu 68,8%, um avanço de 0,3 ponto percentual em relação a 2024. Entre os 148 países avaliados, o Brasil aparece na 72ª posição do ranking global.

O país registra um desempenho quase pleno em educação, destacando-se como líder nesse indicador, e ocupa a 28ª posição em saúde. Em contrapartida, nos pilares de economia (96ª posição) e política (70ª posição), a participação feminina ainda se concentra em poucas posições de poder e decisão.

Quanto à força de trabalho mundial, as mulheres representam 41,2% e, apesar de terem níveis educacionais mais altos do que os homens, ocupam apenas 28,8% das posições de liderança. Além disso, enfrentam maior descontinuidade profissional: são 55,2% mais propensas a interromper a carreira e ficam, em média, um ano e meio a mais fora do mercado de trabalho.

No Brasil, o 4º Relatório de Transparência Salarial e Critérios Remuneratórios, elaborado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) em parceria com o Ministério das Mulheres, divulgado em 2025, revela que as mulheres ganham em média, 21,2% a menos que os homens, o equivalente a R$1.049,67 a menos, considerando o salário médio nas 54.041 empresas com 100 ou mais funcionários. 

Outro ponto a ser considerado é a inclusão de mulheres em determinadas áreas, como STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática). Um levantamento da Unesco revela que cerca de 33% dos pesquisadores científicos no mundo são mulheres. Não é à toa que em 2015 a ONU instituiu 11 de fevereiro como  Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência para promover a equidade de gênero nas áreas STEM. 

O Dia Internacional da Mulher convida a sociedade e as empresas a refletirem sobre o papel que podem exercer na promoção de mudanças reais e duradouras. Colocar sua estrutura, seu conhecimento e sua rede a serviço de soluções permanentes é uma forma concreta de contribuir para uma sociedade mais justa. Afinal, a equidade não se constrói apenas no discurso, mas na capacidade de transformar intenção em compromisso prático.

Nesse contexto, o voluntariado pode ser um caminho poderoso. Entre as iniciativas possíveis, estão ações de capacitação de mulheres em áreas STEM, mentorias voltadas ao empreendedorismo e à empregabilidade feminina, apoio a organizações que atuam pela causa, além de rodas de conversa, palestras e campanhas de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher.

Que esta seja mais do que uma data de reflexão: seja um convite para agir, somar forças e transformar realidades por meio do voluntariado.