Sugestão de ação: festa junina sustentável!

“Pula a fogueira Iaiá,

pula a fogueira Ioiô.

Cuidado para não se queimar.

Olha que a fogueira já queimou o meu amor”.

Junho será mês de festa popular no Brasil inteiro! E das boas!

As Festas Juninas vão chegando e aqueles sabores e sons tradicionais já vem batendo às nossas portas, convidando também os programas de voluntariado a se mobilizarem para dar aquela força extra necessária para os festejos das comunidades, escolas e outras instituições parceiras: sempre com o objetivo de proporcionar uma experiência cultural e folclórica completa! E isso já é motivo suficiente para engajar os seus projetos corporativos.

Esse post traz um conjunto de dicas para você estimular essa participação com um saldo mais positivo: contribuindo para que esses eventos ocorram de uma forma mais sustentável.

A palavra sustentável já foi tão usada que talvez “a sua imagem esteja desgastada”.

Na internet é possível, por exemplo, acessar muitas informações sobre eventos sustentáveis na tentativa de estimular que essas ocasiões, para além de diversão e resultados positivos para a comunidade, acabem por não gerar mais impactos ambientais.

E no afã de que essas festas, ao contrário disso, sejam momentos educativos, de antecipação e de criação de tendências, e das novas formas de pensar e planejar, ou seja,  já levando em conta de forma integrada o ser humano e o meio ambiente.

As festas juninas e julinas são boas ocasiões para colocar esses valores na prática a partir de um programa de voluntariado.

Portanto siga abaixo algumas dicas pensando desde já no micro: o conjunto de pequenas mudanças na sua festa é que poderá transformar o discurso de sustentabilidade em realidade!

Etapa 1: Planejando a Festança (tim tim, por tim tim)

“O balão vai subindo, vai caindo a garoa

O céu é tão lindo e a noite é tão boa”

A) Concepção (pensá mió as coisa)

E aqui estou eu novamente com a palavra planejamento na ponta dos dedos!

Para um evento que se pretende sustentável, se os voluntários são portadores dessas primícias é interessante que se envolvam o máximo possível desde a concepção, junto à comunidade ou entidade parceira.

Isso porque a educação para a sustentabilidade começa nesse momento, a partir de perguntas muito simples como:

  • Qual o número de pessoas previsto, para que seja organizado o não-desperdício de recursos como um todo?
  • Como a festa desde a concepção pode ser mais inclusiva: fisicamente e conceitualmente?
  • Quem da comunidade local pode ser envolvido para fortalecer laços comunitários, economia local, e participação com mão de obra voluntária?
  • Qual o tamanho do espaço, e como aproveitar o máximo de luz e ventilação natural? E assim economizar desde a escolha do espaço em energia elétrica?
  • Quais as condições sanitárias do local: acessibilidade para pessoas com deficiência e idosos, quantidade de sanitários para o número de pessoas participantes.

Esses e outros questionamentos podem compor um roteiro de uma postura educativa, dos voluntários que representam a sua empresa, e que dessa forma contribuem de uma forma construtiva, e com a sustentabilidade no DNA.

B) Comunicação (chamá o pessoár pra vim)

Os materiais de comunicação carregam física e conceitualmente a sustentabilidade do evento.

Se possível faça um briefing para todos os envolvidos assegurando a uniformidade das práticas que se aplicam à sustentabilidade.

Também avalie a necessidade ou não de envio dos convites físicos. Se forem indispensáveis, opte por materiais reaproveitáveis, que de forma artesanal e criativa possam passar um recado carinhoso e convidativo.

Se houver necessidade de impressão de convites, cogite a possibilidade de impressão frente e verso e em tamanhos menores e mais otimizados.

Você pode priorizar os espaços digitais de comunicação, como por exemplo o seu portal de voluntariado, e os espaços de comunicação internos da empresa, como os murais, intranet, e outros disponíveis.

C) Segurança (fazê tudo certim, direitim)

Possibilite que sua ação voluntária preze pela segurança, naquilo que pode lhe dizer respeito. Isso significa que se é um grupo de voluntários da sua empresa que está promovendo uma festa de rua, por exemplo, se faz necessário notificar as autoridades que poderão fechar a rua, por exemplo, para que o evento ocorra livre de trânsito.

Uma equipe de segurança ou bombeiro, ainda que voluntário, pode ainda fazer um tour pelo local da festa ajudando a definir se alguma providência nesse sentido precisa ser tomada.

Etapa 2: A produção da festa (fazê os trem tudo)

Essa tende de ser a etapa mais divertida para ser realizada para um time de voluntários. Imagino até que você achou que começava por aqui, sem antes pensar nas etapas anteriores. Estou certo?

Com razão, pois na etapa de produção da sua Festa Junina é que boa parte dos recursos e do modo de fazer sustentável precisa ser colocado em prática.

E para começar,

“Olha pro céu meu amor

Veja como ele está lindo

Olha pra’quele balão multicor

Que lá no céu vai sumindo”

A decoração (deixá bunitin)

Uma festa junina bem decorada gera toda aquela atmosfera regional e popular que se espera encontrar.

A boa notícia é que é possível manter esse clima com materiais reaproveitáveis e um jeito novo de fazer, como por exemplo:

  • As bandeirolas (bandeirinhas) e os balões podem ser feitas de jornais, revistas velhas ou até retalhos de tecidos diversos. Esse tipo de material é muito fácil de conseguir, basta que faça algum mutirão dentro da empresa, com amigos, familiares e comunidades. Revistas, papéis e jornais podem servir para vários objetos decorativos, como: os balões, as flores, as correntes e os sanfonados. É o tipo de conteúdo gostoso para se confecionar com a família, sucatas de todo o tipo, como copinhos de plástico, de iogurte e restos de papel crepom ou celofane, colas e fitas coloridas podem deixar tudo mais bonito e divertido.
  • As mesas podem ser enfeitadas também com sobras de panos, tecidos em xadrez e tem o benefício de serem limpas e reaproveitadas no ano seguinte.
  • As barraquinhas, em sua decoração, mas também em montagem podem utilizara madeiras reaproveitadas, o bambu, materiais utilizados nos anos anteriores, sobras de construção e outras sobre as de materiais em geral. Os voluntários adoram se meter a engenheiros e construtores e podem se sentir muito motivados com essa atividade.
  • Os cestos de lixo próprios para papel, plástico, alumínio, vidro e restos orgânicos pode estar espalhados de forma visível, de fácil acesso para que seja feita a reciclagem desses resíduos em seguida.  Uma dupla de voluntários vestidos de caipira ou espantalho poderia até ficar encarregada de estar pela festa sensibilizando para essa prática.
  • O (a) caipira: o personagem principal dessa festa pode ser montado quase que inteiramente com retalhos, roupas e tecidos reaproveitados. Aqui vale abusar da criatividade e humor, que dessa forma mais legítima se caracterizam os personagens da festa.
  • Balões: proibidos! Mesmo sendo tradicionais, soltar balões é um crime ambiental, pois causam incêndios em florestas, e são uma ameaça para residências como um todo.
  • Fogueira: Uma alternativa mais sustentável é usar folhas de jornal pintadas nas cores vermelho, amarelo e laranja para representar sua própria “fogueira”. Mas uma fogueira se bem vigiada, utilizando madeira reaproveitada é uma prática comum ainda mais se estiver aquele friozinho.
  • Vassouras podem dar um toque especial na decoração da festa: use criatividade e sucata para fazer com elas divertidos espantalhos 🙂

Uma alternativa sustentável para a decoração da sua festa é o reaproveitando elementos orgânicos, como folhas secas, troncos, galhos, papelão, sementes, folders (antigos), barbante e  outros itens desse tipo, que podem ajudar na ambientação de um cenário campestre e caipira.

Ao final da festa, guarde o máximo possível material de material que possa ser reutilizado no ano seguinte. Mas faça isso de forma organizada e que possa ser lembrada e utilizada com qualidade na próxima ocasião.

As brincadeiras (brincar um cadim, né?)

A animação de uma festa dá o ritmo para ocasião. Elas podem fazer toda a diferença, ainda mais se tiver um público infantil significativo.

Na pescaria peixinhos pode ser feitos de pets e outros resíduos podem estar disponíveis no mar para serem limpos ou resgatados. Crie uma narrativa para a brincadeira, como por exemplo pescaria de limpeza de lagos e oceanos. Ali ela se torna mais um momento educativo. Quem consegue despoluir mais também ganha prendas confecionadas com reaproveitamento.

Boliches costumam funcionar bem com garrafas PETs, cada uma serve de pino e quem derruba mais pinos PETs vence a competição.

As prendas podem ser doadas pelos participantes e público em geral, outros colaboradores da sua empresa que não podem participar como voluntários podem ajudar com esse conteúdo, prezando sempre pelo caráter educativo e o reaproveitamento.

Atividades “realizadas na roça” também podem ser feitas durante a festa junina, ainda mais se para crianças em caráter educativo: plantar sementes numa horta, regar outras plantas, colher e distribuir frutos dentre outros.

Para finalizar, espalhe cartazes educativos, produzidos por alunos, crianças da comunidade como um todo, fazendo uma exposição dos itens produzidos por toda a festa, em forma de: – você sabia? E outras curiosidades.

Uma sugestão que vi uma vez e achei bem legal, foi uma competição de literatura de cordel sobre o meio ambiente!

Uai,

pode ser bem interessante, minina!!

Alimentos e guloseimas (minha nos`inhora!)

“é de cravo é de rosa, é de manjericão”

Pense em alimentação saudável e que todo o processo produtivo e de descarte leve ao máximo em consideração a sustentabilidade.

Verifique se existem fornecedores locais para produzir e vender, se grupos de voluntários não gostariam de produzir garantindo que todo o processo seja inclusivo e com foco na comunidade.

Tente evitar produtos de grandes franquias itens industrializados, investi na saúde é também uma prática sustentável.

Existe algum pequeno produtor de produtos orgânicos ao seu alcance? Existem receitas que podem ser feitas com base no reaproveitamento saudável de alimentos?

As embalagens de papel também podem ser feitas com menos plástico, lançando mão de ideias como antigamente: amendoins torrados dentro de cones de papel, por exemplo.

Para as bebidas o ideal é evitar bebidas industrializadas, focando mais naquelas mais tradicionais como o quentão. Além disso os canudinhos podem ser banidos e os copos podem ser de plástico, mas daqueles mais resistentes e reutilizáveis, ou até mesmo estimular que as famílias levem suas próprias garrafinhas e recipientes de bebidas.

Só de falar em tudo isso foi me dando água na boca e vontade de participar!

Se os colaboradores da sua empresa já participam tradicionalmente de eventos como esses, não deixe de apoiar com o programa de voluntariado corporativo se possível, pois assim você valoriza uma prática da cultura popular, qualificando-as com valores de sustentabilidade.

Tire muitas fotos e poste que no nosso portal! Em junho e julho estaremos por aqui cheios arraiás, sorrisos e caipiras.

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Bruno Barcelos

-Treze anos de significativa experiência nas áreas de Sustentabilidade, Investimento Social Privado, e Voluntariado, com foco em planejamento, gestão, monitoramento, e avaliação de iniciativas privadas e públicas. Bem como experiência em gestão (estratégica – operacional) empresas e em ONGs e articulação entre parceiros dos setores diversos. Amplo experiência no desenvolvimento de assessorias, capacitações e palestras nos temas acima citados, adicionalmente às expertises em prospecção, atendimento, negociação, venda, e na criação/customização de soluções para empresas de grande, pequeno e médio porte nos temas correlatos.

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