6 dicas para um programa de voluntariado transformador

Criar e manter um Programa de Voluntariado transformador é desafiador, porém os resultados colhidos são maiores do que os esforços que se empreende.

Como possibilitar um ambiente propício para o crescimento de um projeto transformador? Neste post falo sobre isso, com base numa fala de Chris Jarvis.

A primeira transformação é das pessoas

Chris Jarvis, é cofundador e diretor de estratégia da Realized Worth, e em um programa de podcast para a Impact Audio, explica a diferença entre uma abordagem transformadora e transacional no voluntariado corporativo.

Ele propõe que a passagem do modelo transacional para o transformador prescinde antes de três mudanças fundamentais para as pessoas:

  • Psicológica: Mudanças na compreensão do eu, e como posso intervir no mundo.
  • Convicções: Revisão de sistemas de crenças, e como cultivo crenças que contribuem para a minha comunidade, e não o contrário.
  • Comportamental: Mudanças nas ações práticas do dia-a-dia que sejam conscientes e benéficas.

Qual é a diferença entre uma experiência de voluntariado transformadora e transacional?

Jarvis descreve que tudo parte da intenção: uma intenção transformadora.

Segundo ele, a intenção por trás de abordagem transformadora quer proporcionar aos voluntários e beneficiários  “uma experiência que ambos carreguem consigo para o resto de suas vidas”.

Em uma experiência de voluntariado transacional:

  • 1 ação = 1 consequência. Os colaboradores entendem as ações como transações sem um propósito maior.
  • A definição de sucesso é o número de tarefas concluídas como. Ex: número caixas de alimentos embalados e doados.
  • .Não há uma compreensão mais ampla sobre como os esforços dos voluntários fazem a diferença no contexto em que intervêm.
  • A experiência não leva os funcionários a questionarem as suas próprias convicções, propósito ou crenças.z
  • As perspectivas e visão de mundo dos participantes não mudam.

Em uma experiência de voluntariado transformadora:

  • O foco está em quais mudanças os colaboradores voluntários geram, e para quem.
  • Cultivar empatia é per se um objetivo.
  • A experiência incentiva os voluntários a repensarem sobre como podem encaixar e interagir com o mundo.
  • As identidades, em termos de diversidade, forças, crenças e especificidades dos participantes são aspectos importantes e considerados pelo programa.
  • O diálogo desempenha um papel fundamental.

Uma experiência de voluntariado transformadora pode remodelar o comportamento e a percepção de mundo dos voluntários.

Depois de uma experiência transformadora, muitos participantes levam essa nova perspectiva para o local de trabalho, portando, consigo um novo senso de propósito, e uma abordagem mais empática que transborda para os seus colegas e clientes, gerando uma transformação na cultura organizacional.

6 dicas para construir um programa de voluntariado transformador

1. Democratizar a experiência

Proporcionando a participação dos colaboradores desde a concepção à avaliação do projeto.

2. Reduzir a ansiedade

Possibilitar que, em vésperas e no dia da ação, os voluntários tenham que se preocupar o menos possível, garantindo já informações detalhadas e antecipadas, gerando previsibilidade ao processo.

Forneça aos voluntários todas as informações de que eles precisam antecipadamente, incluindo: uma breve descrição da atividade, um cronograma claro, definições de logística, alimentação, roupas e calçados.

3. Assegurar tempo para o diálogo

Reserve tempo para o diálogo com os voluntários, entre voluntários, e entre voluntários e comunidade, seja no momento de planejamento da ação ou, imediatamente, antes da ação.

Você pode perguntar como eles estão se sentido e o que esperam da ação e finalizá-la com: feedback, partilha e avaliação.

4. Explicar o “porquê”

Os participantes precisam saber o motivo por trás de suas ações e o impacto que terão, não importam quais sejam as ações. Todos precisam saber: por que aquela ação é importante? Qual questão ela pretende resolver?

5. Abraçar as complexidades e diversidades, e focar nas conexões verdadeiras

O voluntariado pode ser um caminho para uma compreensão da complexidade da sociedade.

Colaboradores engajados podem reavaliar suposições e crenças passadas, explorar seus preconceitos ou confrontar desigualdades que não tiveram que reconhecer antes.

Abordar esses assuntos pode ser difícil, porém é importante. Abra espaço para essa complexidade e para a diversidade.

6. Escolher as ferramentas certas

Se os voluntários tentarem se envolver e acharem o processo muito confuso ou frustrante, há uma boa chance de que desistam.

Torne o processo de participação e aprendizado simples e agradável, evitando burocracias e ações desnecessárias.

Um programa de voluntariado transformador não força mudanças. Em vez disso, ele proporciona um ecossistema favorável, oferecendo formação, estrutura e espaço e, dessa forma, as transformações pessoais internas acontecem de maneira natural, pessoal e voluntária.

Links entre conceitos de voluntariado transformador

O conteúdo deste post foi inspirado no neste texto da Laura Steele.

Para saber mais, leia também o artigo – 6 atributos essenciais para um Programa de Voluntariado transformador”, que tem como base os atributos da solidariedade crítica“.

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