Alimentação escolar: como apoiar através do voluntariado

Durante a pandemia, e o consequente encerramento das escolas, o acesso ao alimento por parte dos alunos da rede pública se tornou ainda mais delicado, fragilizando e comprometendo nossos compromissos com os ODS 2 – Fome zero e agricultura sustentável e 4 – Educação de qualidade, cujas consequências na prática significam: crianças sem escola e sem comida. Tudo isso agravado pela crise econômica que acompanha o momento.

Nesse aspecto os governos e os organismos como o Programa Mundial de Alimentos (WFP) reagiram, e o desafio aqui foi (e é) conectar famílias, alunos, comunidade acadêmica, gestores escolares, professores, demais trabalhadores das escolas,  e nutricionistas, permitindo a troca de informações sobre alimentação escolar, e garantindo um acesso correto e periódico dos alimentos, para além de uma volta às aulas responsável.

Dito isso, esse post é uma orientação sobre como você, empresa, pode ajudar nessa temática compondo a rede de apoio.

Pandemia e alimentação escolar

Cerca de 90% das crianças no mundo ficaram sem aulas em decorrência da pandemia da COVID-19. Isso significa que aquelas em situação de vulnerabilidade ​​estão sem acesso à educação, e também à nutrição adequada.

“Estima-se que No auge da crise, 369 milhões de crianças estavam sem refeições escolares em todo o mundo. Esses são alguns dos números chocantes que têm imposto desafios aos gestores de programas de alimentação escolar em todo o mundo.” (Fonte: Programa Mundial de Alimentos (WFP))

Cenário global

Em 3 de novembro de 2020 ocorreu o painel “Alimentação Escolar como Ferramenta para Combater a Fome”, integrando a edição 2020 do Global Child Nutrition Forum (GCNF), uma conferência voltada para o tema da alimentação escolar sustentável, seus especialistas, e para os programas que implementam estratégias nessa área nos diversos países.

Esses desafios são globais, veja o monitoramento – Global Monitoring of School Meals During COVID-19 School Closures: (monitoramento sobre o fechamento de escolas),  em que cerca de 110 países ainda estão adotando medidas de fechamento de escolas e 240 milhões de estudantes estão sem receber alimentação escolar.

Cenário nacional

No  Brasil, mais de 40 milhões de estudantes que recebem a alimentação escolar gratuita oferecida na rede pública de ensino ficaram sem acesso a essas refeições nas escolas em algum momento em 2020”.

Conforme disse Carmen Burbano, Diretora de Alimentação Escolar do Programa Mundial de Alimentos (WFP),

“Mesmo com as mudanças implementadas por vários países durante a pandemia, muitas crianças ainda estão sem receber alimentação”

E ainda faz-se importante que os países usem os programas de alimentação escolar “como um incentivo para trazer as crianças de volta à escola quando elas forem reabertas”.

O Programa Mundial de Alimentos tem realizado um trabalho conjunto no sentido de organizar parceiros para encontrar soluções para aliviar os efeitos e planejar ações pós pandemia.

A reação do Brasil diante deste cenário

De acordo com Karine Santos, Coordenadora do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), a alimentação escolar no país apresentou mudanças durante a pandemia, “a lei nacional de alimentação escolar foi alterada para permitir a flexibilização da distribuição dos alimentos para as famílias mesmo com as escolas fechadas”.

“Esses kits precisavam necessariamente seguir as diretrizes do programa, pensando nas necessidades alimentares dos alunos, diversidade dos alimentos e com priorização dos alimentos da agricultura familiar” (Karine Santos).

O que sua empresa pode fazer

Em breve chega o período em que tradicionalmente acontecem as voltas às aulas. Diante da vontade de ajudar, a orientação é que a empresa não faça nada sem ter como ponto de contato os órgãos responsáveis. Sejam eles os gestores da educação pública ou das escolas públicas do seu município, ou ainda do Programa Mundial de Alimentos.

Tudo isso porque toda a operação precisa garantir os padrões nutricionais e de higiene, e os riscos de uma intervenção incorreta nesses quesitos não podem ser corridos.

3 principais orientações

  1. Buscar em primeiro lugar os representantes da gestão escolar pública do território em que pretende atuar e com eles perceber de que forma os seus ativos (financeiros, físicos, ou pessoais), podem contribuir para a estratégia de distribuição e garantia de alimentação adequada.

Reforça-se aqui a necessidade de não fazer nada no paralelo que contradiga o oficial, mas sempre de forma articulada.

Pode ser que sua empresa seja importante para mobilização das famílias, para produção de material de orientação e comunicação, no apoio à logística, ou com recursos complementares. Sempre de forma coordenada.

2. Contatar o centro de parceiras do Programa Mundial de Alimentos (WFP) para que direcionem como sua empresa pode contribuir:  Igor Carneiro – Ponto Focal de Parcerias: igor.carneiro@wfp.org

3. Atuar direto com outras instituições locais que trabalhem com crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, ou com grupos locais que tenham articulação, ou já desenvolvam um trabalho junto das suas respectivas famílias. Certamente, as organizações responsáveis triangularão o seu apoio privado com as orientações oficiais, e junto às famílias, vocês, enquanto empresa, podem ajudar com que alimentos adequados cheguem às crianças.

Faça uma ação mais simples de voluntariado

O seu programa de voluntariado corporativo, por meio das ações de voluntariado de competências, podem possibilitar que informações complementares ao assunto cheguem às comunidades escolares.

Dentre elas sugerimos a seguinte, inspirados nesse documento aqui:

Dicas de higiene: fundamental para o alimento seguro, ação de sensibilização junto à comunidade, presencialmente adotando todas os protocolos de segurança, ou online, com o  objetivo de reconhecer a necessidade da higiene na escolha, no armazenamento, no preparo e no consumo dos alimentos para a prevenção de doenças

Pode-se propor uma campanha na escola preparando cartazes com as dicas de higiene e  os cuidados durante as mesmas fases de escolha, armazenamento, preparo e consumo de alimentos.

Recomendações oficiais

Conheças as recomendações para a execução do Programa Nacional de Alimentação Escolar no retorno presencial às aulas durante a pandemia da covid-19: educação alimentar e nutricional e segurança dos alimentos, baixando o documento aqui.

Reflita

Para sua empresa esse assunto importante? Algum do seus programas sociais também está comprometido com os ODS 2- Fome Zero e agricultura sustentável e 4- Educação de Qualidade ?

Então partilhe conosco o que estão fazendo! Vamos descobrir juntos as melhores maneiras de atuar.

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Bruno Barcelos

Bruno Barcelos

Quatorze anos de significativa experiência em gestão de projetos nas áreas de Sustentabilidade, Investimento Social Privado, e Voluntariado, empreendidos por iniciativas privadas e públicas. Além de experiência em gestão de empresas e em OSs, bem como a articulação entre parceiros dos setores diversos. Ampla experiência no desenvolvimento de assessorias, capacitações e palestras nos temas acima citados para empresas de grande, pequeno e médio porte.

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