O que eu preciso saber ao agir pelo ODS 1 – Erradicação da pobreza?

Entre os anos de 2001 e 2010 a fome no Brasil diminuiu em mais da metade, mas conforme os dados mais recentes do IBGE, que são de 2018, ela voltou a se expandir pelo país.

A pandemia do coronavírus agravou a situação, fazendo com que mais pessoas dependam de doações para suprirem as suas necessidade básicas. E o contexto de crise na saúde pública e na economia aumentou as desigualdades sociais.

O número de pessoas em situação de extrema pobreza quase triplicou em nosso país em seis meses, e saltou de 9,5 milhões em agosto de 2020 para mais de 27 milhões em fevereiro de 2021, segundo dados da Fundação Getúlio Vargas.

Organização das Nações Unidas (ONU) já alertou para como as consequências da pandemia aumentaram a pobreza no mundo todo, afetando mais de 500 milhões de pessoas (8% da população mundial).

Por isso, faz-se urgente não perdermos o foco e trabalho no Objetivo do Desenvolvimento Sustentável (ODS) número 1:  Erradicar a pobreza.

ODS 1: Acabar com a pobreza em todas as suas formas

Mas o que significa viver na pobreza?

Não há uma única definição de pobreza que seja universalmente aplicada.

“Seu conceito depende dos valores de cada sociedade e é determinado conforme a lógica de cada país. Mas para traçar estratégias de combate, muitos governos e organismos internacionais adotam medidas baseadas nos rendimentos ou no poder de consumo de um indivíduo. Um dos indicadores mais conhecidos, desenvolvido pelo Banco Mundial, é o da linha da pobreza. Pelos critérios, são considerados extremamente pobres os indivíduos que dispõem de menos de US$ 1,90 por dia, ou cerca de 300 reais mensais em valores atuais. Pessoas com renda diária abaixo de US$ 5,50, aproximadamente 875 reais por mês, também estão consideradas como em situação de pobreza”(Fonte: UFMG – Espaço do Conhecimento).

Nas palavras do secretário geral da ONU, António Guterres, “a tarefa de erradicar a pobreza e alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável nunca foi tão desafiadora, urgente e necessária”, como se tornou em 2020. Entretanto o trabalho em erradicar a pobreza no Brasil e no mundo até 2030 continua.

Conheça as metas relacionadas ao ODS 1:

Meta 1.1

Até 2030, erradicar a pobreza extrema para todas as pessoas em todos os lugares, atualmente medida como pessoas vivendo com menos de US$1,25 por dia.

Meta 1.2

Até 2030, reduzir pelo menos à metade a proporção de homens, mulheres e crianças, de todas as idades, que vivem na pobreza, em todas as suas dimensões, de acordo com as definições nacionais.

Meta 1.3

Implementar, em nível nacional, medidas e sistemas de proteção social adequados, para todos, incluindo pisos, e até 2030 atingir a cobertura substancial dos pobres e vulneráveis.

Meta 1.4

Até 2030, garantir que todos os homens e mulheres, particularmente os pobres e vulneráveis, tenham direitos iguais aos recursos econômicos, bem como o acesso a serviços básicos, propriedade e controle sobre a terra e outras formas de propriedade, herança, recursos naturais, novas tecnologias apropriadas e serviços financeiros, incluindo microfinanças.

Meta 1.5

Até 2030, construir a resiliência dos pobres e daqueles em situação de vulnerabilidade, e reduzir a exposição e vulnerabilidade destes a eventos extremos relacionados com o clima e outros choques e desastres econômicos, sociais e ambientais.

Meta 1.a

Garantir uma mobilização significativa de recursos a partir de uma variedade de fontes, inclusive por meio do reforço da cooperação para o desenvolvimento, para proporcionar meios adequados e previsíveis para que os países em desenvolvimento, em particular os países menos desenvolvidos, implementem programas e políticas para acabar com a pobreza em todas as suas dimensões.

Meta 1.b

Criar marcos políticos sólidos em níveis nacional, regional e internacional, com base em estratégias de desenvolvimento a favor dos pobres e sensíveis a gênero, para apoiar investimentos acelerados nas ações de erradicação da pobreza.

 Será que estamos preparados para alcançar tudo isso?

Isoladamente certamente que não, uma grande reação articulada precisa acontecer, e ela deve nascer do seio de nossas comunidades e instituições, assim como na ação das empresas que têm tanta responsabilidade quanto influência.

Como é possível erradicar a pobreza no Brasil?

Em um debate realizado no dia 17/8, pelo Centro de Gestão e Políticas Públicas do Insper, chamado “Erradicação da extrema pobreza”, foi enfatizado os primeiros passos para combater a pobreza começam justamente na identificação e categorização do que é pobreza para o Brasil. Uma organização que ajuda a facilitar o público alvo e o foco de atuação.

Em seguida a organização da assistência, por meio de políticas públicas mais enxutas e articuladas, inclusive em parcerias com as empresas.

“O setor privado também pode fazer muito pela inclusão produtiva da parte mais pobre da sociedade(…) foi uma conclusão coletiva, guardada suas peculiaridades de ações, de que a erradicação da pobreza é um trabalho conjunto, entre os âmbitos privados e públicos, por meio de projetos profissionalizantes que não atrelem ou prometam nenhuma cláusula em detrimento dos direitos dos trabalhadores contemplados”. (Centro de Gestão e Políticas Públicas do Insper) .

Veja na íntegra da conversa sobre “Erradicação da extrema pobreza” no canal de YouTube do Insper.

Qual os papel das empresas para ajudar na erradicação da pobreza?

De acordo com uma publicação do Instituto Ethos, forma geral, há dois grandes eixos para as ações empresariais visando à erradicação da pobreza:

  1. Maior sensibilidade dentro da atividade econômica que já realiza.
  2. A presença da empresa enquanto um ator cidadão dentro do espaço público que ocupa.

Maior sensibilidade dentro da atividade econômica que já realiza.

“O primeiro eixo refere-se a uma maior sensibilidade dentro das atividades comerciais, administrativas e produtivas normais da empresa, a sua responsabilidade enquanto empreendimento comercial. Muito pode ser dito sobre a atuação empresarial em relação a seus produtos, serviços e funcionários e sobre sua intervenção entre a população desfavorecida. Também se deve ressaltar a existência de inovações nas políticas internas das empresas e em suas ações de promoção social” (Instituto Ethos).

De acordo com a publicação do Ethos, veja alguns exemplos de ações prática nesse sentido:

• A avaliação das políticas de recursos humanos no que concerne à remuneração e aos benefícios, práticas afirmativas de recrutamento e seleção, estratégias de manutenção da força de trabalho em períodos difíceis, entre outras;

• A avaliação de políticas de negociação de práticas de recursos humanos com os fornecedores e com os fornecedores dos fornecedores (ações afirmativas e erradicação do trabalho infantil, por exemplo);

• A adoção de políticas de gestão da cadeia de suprimentos voltadas às práticas de comércio justo e eqüitativo (incluindo os fornecedores de fornecedores);

• A introdução de políticas de compra de materiais e serviços gerais direcionadas ao apoio de iniciativas locais de geração de emprego e renda.

A presença da empresa enquanto um ator cidadão dentro do espaço público que ocupa.

O segundo eixo representa o vínculo de maior ou mais responsabilidade social e participação junto à comunidade em que a empresa está presente.

Aqui entram as ações de responsabilidade social externa, dentre as quais, as ações de voluntariado.

O que é possível fazer já na luta contra a fome

Na luta contra a pobreza o seu programa de voluntariado articulado com práticas de doações pode ajudar na mitigação do problema da fome. Pois a urgência de comer não espera.

Se você também quer ajudar, mas não sabe como, há aqui uma  lista de ONGs e projetos sociais que estão mobilizados na mesma causa por todo o Brasil.

Ou se preferir pode conferir nesses links um filtro regional:  

E o que é possível fazer em ações de longo prazo?

O seu programa de voluntariado pode investir na geração de renda, por meio de ações relacionadas ao ODS 8.

Temos aqui um post só sobre esse assunto: ODS 8: como apoiar o desenvolvimento econômico em tempos de COVID-19.

Saiba como prover ações transformadoras, que estimulem os colaboradores e parceiros a participarem cada vez mais, enquanto cidadãos ativos e agentes de uma sociedade mais equilibrada.