4 situações que podem minar seu Programa de Voluntariado

Dificuldades Voluntariado EmpresarialQuando articulamos um Programa de Voluntariado Empresarial sempre esperamos uma adesão em massa dos colaboradores, gestores incentivando a participação e uma comunidade agradecida pelas intervenções feitas pela empresa.

Mas nem sempre é o que acontece… Se o Programa de Voluntariado em sua empresa está deixando a desejar em algum destes aspectos, veja quais podem ser os motivos:

 

1- A sociedade não percebe o valor das atividades feitas pelos voluntários da empresa

Como já falamos outras vezes aqui no blog, o Programa de Voluntariado deve estar alinhado ao interesse de três grupos: empresa, colaboradores e sociedade. Parece óbvio, mas muitas vezes o que se vê são empresas oferecendo à comunidade suas habilidades sem antes verificar se aquelas são as reais necessidades daquela população, ou se eles realmente vêem valor no que está sendo oferecido. As consequências podem ser desastrosas, resultando em uma comunidade decepcionada, voluntários frustrados e uma empresa com a imagem manchada.

Como driblar esta questão:
As empresas que trabalham com a prática de organizar os colaboradores em equipes estimulam que estes procurem uma instituição parceira e se reúnam com ela para descobrir suas necessidades e identificar como os voluntários podem usar suas habilidades para ajudá-los. Esta abordagem traz excelentes resultados em grupos pequenos de voluntários, mas como fazer quando a empresa está definindo a instituição que será parceira do Programa de Voluntariado como um todo?

Neste caso, empresas de consultorias em programas de voluntariado podem ajudar bastante. Eles conhecem diversas instituições e suas carências – e, mesmo quando não conhecem, sabem usar técnicas interessantes para alinhar as habilidades dos colaboradores e interesses da empresa às necessidades de uma determinada comunidade. Paulo Farine Milani, consultor do Instituto Elos, defende que a melhor forma de perceber estas relações é reunindo representantes destas três partes para que juntos possam definir as ações que irão antender as mais altas aspirações de cada um deles.

 

2- Os gestores não estimulam a participação de seu time no programa de voluntariado

Conquistar a adesão dos gestores intermediários não é tarefa fácil. Isso porque eles são diretamente impactados quando seus subordinados diretos deixam um pouco de lado suas atividades para planejar ou executar açoes de voluntariado. É preciso entender o lado deles: os supervisores são cobrados pela produtividade de sua equipe e têm resultados mensais a entregar. Qualquer coisa que interfira no desempenho da área tende a ser vista como uma ameaça, principalmente se ele não conhece os pontos positivos de um programa de voluntariado. Se for estimulado que este gestor se engaje diretamente nas ações, a questão é ainda mais delicada: além de ter impacto na produtividade da equipe, ele ainda terá que doar seu próprio tempo, interferindo em seu próprio rendimento.

Como driblar esta questão:
A principal medida é mostrar aos gestores os pontos positivos que a atuação voluntária pode trazer à sua equipe. Dentre eles estão a melhora do trabalho em equipe e o aumento do espírito de cooperação, além do desenvolvimento de habilidades profissionais como proatividade e comprometimento.

Também é importante reconhecer e homenagear os gestores que atuam como aliados do Programa. O livro Voluntariado Empresarial – Estratégias para a implantação de programas eficientes, organizado pela consultora Andrea Goldschmidt, sugere enviar uma carta de agradecimento ao gestor parabenizando o funcionário-voluntário ou destacar os gestores cuja equipe tem mais colaboradores envolvidos no Programa. No entanto, ainda de acordo com o livro, é preciso certificar-se de que o gestor não esteja “obrigando” seus funcionários a participarem! Caso contrário o programa perderá seu caráter voluntário.

 

3- Os colaboradores se sentem como meros coadjuvantes do Programa

Quando as ações são planejadas, articuladas e promovidas pela empresa, pode acontecer de o voluntário não perceber sua importância para o Programa. Por exemplo: em uma visita a uma ONG, se ele não participou da escolha da instituição a ser visitada e nem ajudou a planejar as atividades feitas, ele pode sentir que sua presença não fará diferença.

Como driblar esta questão:
Há três maneiras básicas de aumentar o envolvimento dos voluntários:

  1. Em ações promovidas pela empresa, procure envolver os participantes também na parte de planejamento. Faça pesquisas para identificar com que tipo de público ou causa eles desejam se envolver. Permita que sugiram instituições a serem visitadas e, após escolherem a instituição, convide-os a participarem das reuniões de planejamento da ação.
  2. Outra alternativa é estimular que os próprios voluntários se organizem em grupos e definam suas atividades, reportando os resultados aos gestores do programa. Grandes empresas possuem este modelo de programa, como Bradesco e C&A. Neste caso, a organização precisa oferecer orientação e suporte sobre como escolher uma instituição parceira, que assuntos conduzir nas reuniões de planejamento e como organizar as atividades. Além de criar guias e manuais, também é importante oferecer um canal de contato para tirar dúvidas dos voluntários.
  3. Uma terceira forma de fazer com que os voluntários se sintam protagonistas é dando um espaço para que eles divulguem suas próprias iniciativas pessoais. A GVT, por exemplo, tem no portal Voluntariado Instituto GVT uma área de Iniciativas dos Colaboradores, onde as ações são registradas separadamente em relação às ações corporativas.

 

4- Os colaboradores não se identificam com a causa abraçada pela empresa

É muito comum que o Programa de Voluntariado das empresas tenham causas bem específicas, como Educação, Meio Ambiente, ou mesmo alguma causa diretamente ligada à área de atuação da empresa como por exemplo: uma empresa de alimentos cujo programa gira em torno da nutrição, ou uma empresa de produtos femininos que é voltada para a conscientização sobre o câncer de mama. Essa abordagem tem como ganho uma proposta mais sólida e um programa mais fácil de gerenciar mas, por outro lado, se os colaboradores não se identificam com aquela causa eles acabam sentindo que estão participando daquela atividade pela empresa, e não por suas convicções pessoais.

Como driblar esta questão:

Ainda que seu programa abrace uma causa específica, tente abrir um leque de opções dentro dela. Por exemplo, uma empresa de ração cuja causa defendida é o bem-estar animal, pode-se promover visitas a creches e asilos levando cães de companhia, ajudando assim crianças, idosos e os animais. O banco Santander, que promove a educação através do Programa Escola Brasil, usa as parcerias com escolas públicas para abordar os mais diversos temas como valorização das pessoas com deficiências, resgate da consciência negra, educação financeira e literatura. É uma forma de abordar diferentes temas dentro de um público-alvo principal.

 

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Natalia Kelbert

Publicitária e especialista em Responsabilidade Social Corporativa. Atualmente é editora do blog Voluntariado Empresarial e diretora de novos negócios na V2V, além de membro-organizadora do Grupo de Estudos de Voluntariado Empresarial.

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