Para que o seu programa de voluntariado corporativo tenha ações relevantes, é preciso que haja um bom processo diagnóstico, que vai direcionar todo o planejamento.
Essa análise do contexto deve acontecer internamente, olhando para os potenciais da empresa e dos voluntários, e externamente, para os locais em que se vai desenvolver as ações sociais.
Esse post é sobre a análise externa, abordando 7 características que você pode levar em consideração para fazer uma boa investigação do contexto em que irá atuar.
Boa leitura!
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1. Alinhar o global e o local
As realidades em que atuamos não estão isoladas. Nunca estiveram, mas agora, num mundo digitalmente hiper unido, isso está mais fácil de perceber.
É relevante para um diagnóstico local que essa consciência esteja presente, tanto nos voluntários interventores quanto nas comunidades e instituições parceiras.
O que acontece em um país tem rápidas consequências no outro, o que se faz no local tem influência no global, e o que acontece no globo, vem impactar até mesmo os pequenos vilarejos.
Logo, compreender os fatores macros que podem influenciar o sucesso ou não da ação, faz parte da análise de contexto. Como por exemplo, crises econômicas, inflação, crise climática, crises políticas, e etc.
Assim também se faz relevante definir como que a ação local poderá ter impacto globalmente, alinhando-se, por exemplo, aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.
2. Gerir o excesso de informação
Estamos saturados de informação, mas sabemos muito pouco. O excesso de dados é uma faca de dois gumes, e saber ler os dados disponíveis requer cuidado.
A habilidade para a gestão do conhecimento é um fator a ser levado em consideração nos diagnóstico que o projeto de voluntariado irá realizar:
· O que se espera conhecer de um contexto territorial?
· E por quê?
No meio da imensa quantidade de informações disponíveis, é valioso que o diagnóstico do contexto saiba selecionar e interpretar as informações úteis e fidedignas para o sucesso do projeto.
Para os projetos sociais isso fica ainda mais desafiador, quando estamos falando de uma gestão coletiva do conhecimento.
3. Realizar análise permanente
A análise de territórios e contextos que passam por constantes mudanças deve ser viva.
Obviamente estimula-se o diagnóstico inicial para criar um marco zero de um projeto de voluntariado, pois é da fotografia inicial que se vão definir as variáveis do plano de ação.
Mas um diagnóstico nunca é congelado. Ele é ativo, e sempre monitorado, por meio de checks de reavaliação periódicos do cenário, seja durante a ação, ou ao final da mesma.
Mudam-se os atores, os contextos macro e micro, muda-se a estratégia da empresa, o tamanho do interesse dos voluntários, da capacidade de ação dos voluntários, muda-se o número de voluntários, muda-se o contexto político local, e tantas outras mudanças que um diagnóstico inicial, se não revisitado, pode ficar rapidamente obsoleto.
Diagnóstico local bom, é diagnóstico que se atualiza com constância.
4. Fazer o possível com aquilo que se tem
A melhor forma de começar um bom processo de investigação do contexto local é começando : ) e com os recursos que se tem.
Se sua empresa não tem recursos para contratar uma consultoria que facilite o processo, ou para construir processos complexos de análise, o melhor é começar com os talentos que se tem dentro de casa ou junto aos parceiros.
Unam-se, conversem, e percebam quais são os recursos disponíveis, e como se poderá viabilizar ações de diagnóstico possíveis.
Começar pequeno, é sempre melhor do que nada.
5. Valorizar os diferentes pontos de vista
Quem faz o diagnóstico não é a empresa, nem os voluntários. Um diagnóstico é sempre feito por várias mãos, principalmente as mãos e mentes das comunidades e instituições beneficiárias.
E é fato que tantos atores terão percepções diferentes da realidade, e é essa a grande riqueza do processo.
· Quantas visões de realidades existem ao mesmo tempo?
· Como é possível conciliar tantas visões e chegar a um lugar e percepção comuns?
Havendo clareza de que pensar diferente é sinônimo de crescimento, e que a diversidade de visões garantirá um maior sucesso das ações que se pretende realizar, a habilidade de agregar os diferentes pontos de vista irá mitigar riscos e possibilitar melhores impactos.
6. Atuar em conjunto
Esse ponto de atenção vem em decorrência da anterior, para marcar que o diagnóstico local, tanto no início, quanto durante o desenvolvimento do projeto, é um processo coletivo.
A empresa proponente da ação de voluntariado pode até ser quem facilita as atividades, mas o desenvolvimento sempre prescindirá da colaboração ativa dos parceiros, num tipo de diálogo que nunca é unilateral, mas sim, uma troca equilibrada e fértil.
7. Ter um olhar de abundância: o que queremos conhecer não são apenas os problemas
Não se pode deixar de lado toda uma gama de potenciais, oportunidades e forças que um território e suas pessoas possuem.
Essa faceta da análise garante um olhar de abundância para os parceiros, recursos, ferramentas, ações e para as ações como um todo.
Buscar apenas faltas e carências pressupõe um olhar limitante, em que a comunidade só é capaz de receber.
Contudo sabemos que essa abordagem, de tutela, carrega um cunho assistencialista que já não queremos exercer há muito tempo.
Por isso, para que o planejamento e as ações sejam emancipatórias, o processo de diagnóstico também deve ser emancipatório, envolvendo desde sempre os parceiros da comunidade de maneira a identificar suas potencialidades, e de pensar garantias de sustentabilidade do projeto para além da intervenção dos voluntários.
Bibliografia:
RIVA, FERNANDO DE LA. Metodologias de análise da realidade global e local. Edição Portuguesa: Fundação Eugénio de Almeida, caderno n. 9, 2012.