Solidariedade feminina: atitudes que transformam vidas (em construção)

O Dia Internacional das Mulheres, comemorado em oito de março, sempre nos incentiva a trabalhar as questões de igualdade de gênero de uma forma mais ativa.

A data ainda nos desperta para a importância de o fazer não só em um único dia, ou mês, mas durante o ano todo.

Esse post marca o Mês das Mulheres com uma reflexão sobre a sua garantia de direitos e o protagonismo feminino nas ações de solidariedade social, ainda que vivendo em condições de desvantagem.

Dados sobre a igualdade de gênero

Assim como toda a pauta de garantia de direitos, a questão da igualdade de gênero, protagonizada pelos movimentos femininos, é responsabilidade dos diversos setores da sociedade, e compõe as metas do ODS 5 da Agenda 2030.

“Garantir a equidade de gênero no Brasil é uma responsabilidade de todos e todas, incluindo o setor público, o setor privado e a sociedade civil organizada. No âmbito da Agenda 2030, tais ações correspondem ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 5 – alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas. No setor privado, a garantia de direitos se dá por um conjunto de políticas, práticas e pela cultura empresarial. Barreiras sutis e informais persistentes à ascensão feminina a cargos de liderança e a salários iguais aos dos homens e a divisão sexual do trabalho limitam o acesso de mulheres a oportunidades de inserção produtiva e de desenvolvimento pessoal, gerando um grande custo social, econômico e produtivo para a sociedade brasileira” (Observatório 2030). 

O setor privado dentro desta discussão tem sido estimulado a assimilar metas ambiciosas de equidade para cargos de liderança, de salário e remuneração.

E a performance geral neste sentido varia de setor para setor: conforme o estudo do Observatório 2030, “o setor de Saúde e Educação apresenta o maior percentual de mulheres no quadro funcional das empresas com média de 70%”, e “com menor percentual de mulheres no quadro funcional, está o setor de Siderurgia e Mineração (13,7%)”.

Outra importante pesquisa é da ONU Mulheres e Instituto Ipsos (inserir link da fonte) , que trata sobre a percepção brasileira dos direitos humanos e desigualdade de gênero.

Realizada em 2021, teve como principal achado o desconhecimento sobre as temáticas de Direitos Humanos no Brasil. Apesar de 72 anos terem se passado desde a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), e das diversas convenções e normas internacionais que orientam a implementação desses direitos, o assunto ainda é pouco difundido no país.

Os dados levantados nas regiões Sudeste, Nordeste, Sul, Centro-Oeste e Norte apontam que apenas 7% dos respondentes conhecem “muito” sobre o assunto.E a difusão dos direitos das mulheres é essencial para que se vá, em seguida, atrás de sua concretização.  

Este texto é, portanto, um alerta e também um convite para que sejamos ativistas de direitos, e voluntários transformadores, agentes mais solidários à pauta de gênero, que perpassa todas as estruturas, níveis de liderança e de atuação em nossas instituições.

As dificuldades com o ODS 5

Como sabido, o ODS 5 trata da da meta  de “alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas”.

E para alcança-lo será necessário enfrentar desafios ambiciosos, tais como:

– Desigualdades no acesso à educação e à renda.

– Diminuir carga excessiva de trabalho doméstico.

– Eliminar as violências contra mulheres e meninas.

– Garantir direitos reprodutivos e sexuais.

– Enfrentar discriminação como um todo.

– Acabar com casamentos prematuros.

– Aumentar a participação de mulheres na política.

E que vêm, de forma preocupante, alcançando avanços muito lentos, como é o caso da violência contra mulheres e meninas:

“A meta 5.2, que fala sobre a “eliminação de todas as formas de violência contra todas as mulheres e meninas nas esferas públicas e privadas, incluindo o tráfico e exploração sexual e de outros tipos”, em especial, tem encontrado dificuldades para ser alcançada. Em 2018 uma a cada quatro mulheres sofreu algum tipo de violência e na maioria das vezes (76,4%) o agressor era conhecido da vítima, segundo o relatório “Visível e invisível: a vitimização de mulheres no Brasil” (Sustentarea).

E mais:

·       O Brasil é ainda o quarto no ranking mundial em casamentos infantis.

·       A dupla jornada de trabalho mostra que as mulheres dedicam 10 horas mais ao trabalho doméstico do que os homens. (Conforme dados do ODS Brasil).

As empresas ao lidarem com tais realidades precisam adquirir práticas afirmativas que flexibilizam a gestão do equilíbrio entre vida profissional e pessoal das mulheres, cumpra os mínimos de igualdade de cargos e salários, e faça advocacy sobre a equidade de direitos em suas redes de influência.

Além disso, é possível estabelecer um programa de voluntariado que sensibilize para as questões de gênero, promovendo um ciclo virtuoso de aprendizado e redução de desigualdade.

E por falar em voluntariado, são as mulheres mais solidárias do que os homens?

Quem é mais solidário: o homem ou a mulher?

Confirmando o que se observa na prática, a Pesquisa Voluntariado no Brasil mostra que no nosso país 51% das voluntárias são mulheres.  

Além disso, na pesquisa do IBOPE encomendada pela AMBEV, as mulheres são maiores doadoras para as instituições e as organizações do que os homens.

No campo da solidariedade, as mulheres contribuem 57% contra 43% das doações masculinas. Entre as doações, as mulheres doam seu tempo em prol da melhoria da vida de outras pessoas, onde 20% gira em torno do voluntariado.

E por que isso acontece?

Por que as mulheres são mais solidárias?

Por que então, as mulheres, ainda que em desvantagem na distribuição de papéis, fazem mais voluntariado?

“Na minha percepção, o fato da maternidade impulsionar o desejo de ter um mundo melhor para nossos filhos, buscamos melhorar o mundo à nossa volta. Tem a questão do legado também, minha mãe era empreendedora e ajudava outras mulheres da família, vizinhas, amigas e me ensinou esse exercício – valores morais – fazer o bem ao próximo, consciência coletiva” Marlene Pintinha

Bom aqui vamos recorrer à academia: [BM1]  Gente, aqui não consegui fazer a ligação que justifique o pq das mulheres fazerem mais voluntariado.

Durkheim, através de seus estudos sobre a organização social, observou o comportamento humano em suas relações sociais, tanto as de forma individual como as de forma coletiva.

Para ele, não haveria relacionamentos se não houvesse solidariedade entre as pessoas.

A partir deste ponto, percebe-se a expansão de uma consciência individual, centrada na construção da personalidade para uma consciência coletiva baseada em valores morais, sobretudo.

Essa narrativa tem sido enunciada nas redes sociais como um clamor ao fim da rivalidade feminina. Termos como a “sororidade” (amor entre irmãs) ecoam entre mulheres com o propósito de resgatar, de fazer emergir e de desenvolver o protagonismo àquelas que estão à margem da sociedade, sem perspectivas de ascensão social.

A sororidade concebe outro termo que é a “dororidade”, que denota os apagamentos, as ausências e a invisibilidade, principalmente entre as mulheres mais vulneráveis, aqui as mulheres negras em sua maioria.

Dentro dessa visão tem sido fomentada uma rede de solidariedade feminina e de proteção mútua.

Os números ainda apontam que a população brasileira registra 56,10% de pessoas declaradas negras e ainda assim, são minoria em postos de liderança no mercado de trabalho, em cargos representativos e na magistratura, por exemplo.

A população negra forma a maior parcela da população atingida pelo desemprego ou que exerce tarefas que se enquadram como subemprego, é a maioria da população carcerária e é maioria nos números de vítimas de homicídio.

Esses dados nos revelam que os níveis de desigualdades têm classe, tem gênero, mas também tem cor.

Aparentemente, vem sendo delegado à mulher o papel de cuidar e do homem de prover. Tem sido assim desde a ancestralidade primitiva: a mulher cuida dos insumos e da comunidade, enquanto o homem vai à caça.

Será possível a evolução desta herança ou o passado nos definirá para sempre?

É singela a ligação de que o feminino traz consigo o arquétipo do cuidado, cabe ao masculino alcançar, neste processo, a capacidade de repartir, seja a capacidade produtiva – laboral, seja a responsabilidade de cuidado para com a comunidade.

Vale ainda lembrar que a solidariedade, poeticamente, é feminina, e que já contém o potencial transformador, da crítica para a cooperação, do assistencialismo para o desenvolvimento sustentável.

Exemplos de projetos de solidariedade feminina nos territórios

Os exemplos de solidariedade feminina são para enaltecer o trabalho das mulheres mas não só, também servem para inspirar mulheres e homens a desenvolverem ações de voluntariado e solidariedade.

(Gente, seria bom desenvolver os exemplos um pouquinho. O que acham? Não estou conseguindo muito alinhavá-los )

      Instituto Arvorecer oferece capacitação para mulheres vítimas de violência doméstica em Poços de Caldas.[BM2] 

https://www.childhood.org.br/associacao-lua-nova-afeto-e-moradia-para-jovens-maes-vitimas-de-violencia-sexual-e-seus-filhos

ONG Meninas da Lua – Araçoiaba da Serra – SP

https://padreharoldo.org.br/interna/13/iph-participa-de-encontro-com-o-grupo-mulheres-do-brasil/74
https://www.portaldoimpacto.com/por-que-uma-rede-feminina-de-captacao-de-recursos

www.iwcabrasil.com.br

Incorporar aqui como inspiração/exemplos

https://www.onumulheres.org.br/forum-geracao-igualdade/news/generation-equality-forum-call-action-private-sector.html