Saiba o que é importante na hora de fazer a formação inicial dos voluntários

Para ter voluntários que cumpram os objetivos do programa, a empresa deve oferecer capacitação. Uma orientação inicial, antes de ir a campo, faz o time conhecer as metas a cumprir e saber como alcança-las, observando as politicas e os procedimentos, se inteirando ou fazendo parte planejamento, das divisões de tarefas e dos cuidados na interlocução com a comunidade ou instituição parceira.

Este post é o segundo de uma série sobre gestão de voluntariado adaptada do projeto VolunCET, que é um curso de formação online disponível em seis línguas – Alemão, Espanhol, Inglês, Italiano, Português e Polaco, produzido e cofinanciado pelo Programa Erasmus+ da União Europeia e alguns parceiros.

Uma vez por mês estamos compartilhando parte deste conteúdo aqui no nosso blog, em formato de formação continuada. Se antes quiser ler o primeiro, “Como planejar a sensibilização e mobilização de voluntários”, é só clicar aqui.

A função de uma Formação Inicial

As capacitações nos programas de voluntariado podem acontecer durante todo o ciclo do programa, mas a formação inicial possui um caráter estratégico uma vez que possibilita colocar voluntários novos e veteranos no mesmo barco: na cultura, nos processos, nas relações, e no jeito de ser do voluntariado da sua empresa.

“Um Programa de Orientação Inicial” vai ajudar o voluntário a perceber como a sua função se encaixa dentro do contexto global do projeto. (Gregory, 2005)

Ao ver que as suas tarefas integram uma missão maior, o mesmo encontrará significado para o trabalho que desenvolve, sem que pareça estar fazendo um esforço inglório para uma causa aparentemente inatingível.

Além disso, tenha em mente que os voluntários representam a sua organização para o público e a sua imagem externa. Quanto mais eles conhecerem e entenderem o trabalho desenvolvido e a(s) causa(s) da empresa, mais eles poderão contribuir para as funções designadas para (e com) ele”, e ainda representar a empresa de uma forma alinhada. (Gregory, 2005)

Os Materiais formativos

Toda a comunicação com os voluntários pode ser formativa. Desenvolva documentos que desde o início, como por exemplo o Termo de Adesão ao Trabalho Voluntário, explicitem claramente os objetivos e procedimentos do Programa.

“Para garantir a compreensão, a conformidade e aceitação das políticas e procedimentos do programa, disponibilize a cada voluntário um contrato ou compromisso de voluntariado por escrito, assinado por ambas as partes (organização e voluntário)”. (Gregory 2005)

(No Brasil o Termo de Adesão é uma orientação da legislação do voluntariado: a Lei 9608. Veja aqui um post nosso só sobre essa legislação, e um modelo de Termo de Adesão).

Além das formalidades, ou seja, do material obrigatório, você enquanto gestor e/ou formador de voluntários, poderá ainda desenvolver um Manual de Voluntariado, e um kit de materiais formativos, dentre os quais infográficos, cartilhas e jogos que auxiliem no processo de apropriação do conteúdo.

Como exemplo, acesse o nosso ebook  Formação de Voluntários: Como promover e gerenciar diferentes tipos de Capacitação para conhecer diversos cases de empresas que oferecem soluções criativas de capacitação para seus voluntários.

É fundamental ser didático, que expresse a identidade – o DNA do programa, e que não seja longo: pois voluntários em geral são colaboradores que desempenham uma série de outros papeis, e quanto mais facilitar, melhor!

A estrutura de uma formação inicial

Na linha do quem vem propondo o curso, é aconselhado que a formação inicial responda a uma estrutura básica que contemple as necessidades específicas do seu programa de voluntariado, e as necessidades conjunturais (legislação, especificidades da comunidade ou da instituição e causa com a qual vai atuar).

De forma que:

Especifique os requisitos da função/tarefa que o voluntário irá realizar.

Quase sempre esse assunto não é óbvio, e esclarecer as tarefas tem a ver um pouco com o gerenciamento de expectativas.

Por exemplo, em uma ação em creches e escolas, a sua ação de voluntariado pode às vezes não possibilitar o contato dos voluntários com as crianças, e se essa for uma expectativa dos seus colabores, a formação inicial pode dar conta disso.

Outro ponto é saber que uma tarefa a ser executada, muitas vezes é o recorte de uma algo muito maior, e que por isso existe liberdade relativa na ação voluntária, desde, como exemplo, as diretrizes que as prefeituras municipais dão para reformas em escolas públicas (cores para pintura, padrões de construção …) até a didática de alguma oficina com um recorte temático, como educação financeira.

Por fim, sobre os requisitos, a formação inicial promove a série de competências técnicas e comportamentais que o seu programa de voluntariado demanda. Aqueles com recorte bem especiaistas como trabalho em hospitais, unidades carcerárias e órgãos públicos poderão exigir um pouco mais aqui,

Seja orientada para o nível de competências que os voluntários devem desenvolver.

O momento de formação pode propor já o desenvolvimento de determinadas competências?

É uma boa pergunta.

Acredito que pode ser o gatilho, e despertar naquele momento o interesse dos voluntários para estudar e praticar mais determinada atividade.

Por exemplo, uma ação voluntária que demande a competência em falar em público pode desde já, em sua metodologia, promover que os voluntários falem em pequenos grupos de voluntários e depois em plenária, pontuando ali como a oratória pode ser aperfeiçoada.

Tenha continuidade, ou seja, não é aconselhável que os momentos de capacitação se restrinjam à formação inicial.

Especifique as necessidades sociais dos beneficiários e como e quanto os voluntários contribuiem ali: esses ítens que compõe a estrutura de uma formação são complementares. Mas não pode faltar um estudo do contexto social ou da causa adotada pelo programa de voluntariado.

  • Por que a empresa escolheu aquela causa?
  • Em que determinada causa dialoga com a atividade da empresa?
  • Quais são os números, relatos, contexto, informações essenciais sobre o problema a ser resolvido?
  • O que, e quais esforços já tem sido feito por outras empresas e instituições para auxiliar naquela causa?
  • E qual o diferencial do meu programa de voluntariado? Ou seja, em que ponto específico daquela necessidade a minha ação irá contribuir?

Seja avaliada periodicamente para determinar se está no caminho certo.

A formação inicial, a cada rodada em que acontece, precisa ser avaliada por quem promove e por quem recebe. Tal avaliação pode mensurar em que medida a preparação dada foi suficiente para o voluntário agir.

Sabemos que não há formação suficiente que dê conta do dinamismo da realidade social, mas podemos saber o quanto os vountários se sentem minimamente aptos para o seu trabalho e o quanto podemos compartilhar com os mesmos nossas experiências prévias, enquanto gestores de voluntariado.

Por fim, vale dizer mais uma vez o quanto é oportuno que nesse momento inicial os voluntários sejam inseridos da melhor forma possível na realidade social em que irá atuar, por meio de vídeos, fotos, dados de contextos e depoimentos gravados, ou até mesmo ao vivo, através de algum representante da comunidade, ou instituição, que possa participar da formação, apresentando e dialogando a sobre sua realidade.

Não se treina para pular de pára-quedas? É uma bela metáfora 🙂

Continue acompanhando nossos conteúdos, especialmente essa série formativa inspirada no VolunCET.

Dia Nacional de Voluntariado

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Bruno Barcelos

-Treze anos de significativa experiência nas áreas de Sustentabilidade, Investimento Social Privado, e Voluntariado, com foco em planejamento, gestão, monitoramento, e avaliação de iniciativas privadas e públicas. Bem como experiência em gestão (estratégica – operacional) empresas e em ONGs e articulação entre parceiros dos setores diversos. Amplo experiência no desenvolvimento de assessorias, capacitações e palestras nos temas acima citados, adicionalmente às expertises em prospecção, atendimento, negociação, venda, e na criação/customização de soluções para empresas de grande, pequeno e médio porte nos temas correlatos.

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