7 mudanças no voluntariado corporativo no mundo pós pandemia

O voluntariado corporativo no mundo pós pandemia sofreu algumas mudanças. O relatório do IAVE 2022 mostra 7 mudanças que não ficaram apenas durante esse período, mas que seguirão também para o futuro.

“Mesmo diante de uma crise global sem precedentes, o voluntariado corporativo continua sendo uma força vital – mobilizando as habilidades, a energia e o comprometimento de pessoas em todas as regiões para ajudar a construir um mundo melhor para todos”.

Essa é a mensagem central do relatório publicado pelo IAVE (International Association for Volunteer Effort) de 2022, resultado de uma pesquisa de dois anos, junto aos responsáveis pela gestão de programas de voluntariado corporativo pelo mundo.

Confira neste post algumas inspirações provenientes desse material relevante para gestores de voluntariado experientes e iniciantes, e conheça as mudanças no voluntariado corporativo no mundo pós pandemia

Tamanho da pesquisa

Esse material como fonte de dados tem a sua grandeza e relevância:

  • A primeira parte dessa pesquisa foi realizada por meio de entrevistas com representantes de 80 empresas, sediadas em 32 países, com operações em mais de 175, e uma força de trabalho superior a 8 milhões de pessoas.
  • Na segunda parte, foram realizadas cerca de 90 entrevistas adicionais com organizações sem fins lucrativos, consultores independentes e acadêmicos com envolvimento direto com o voluntariado corporativo. Totalizando aproximadamente 250 horas de entrevistas com empresas e outros.

7 mudanças no voluntariado corporativo no mundo pós pandemia

Organizando os dados coletados e analisados sobre o voluntariado corporativo no mundo, o relatório aponta sete temas que alcançaram maior relevância durante os últimos dois anos.

Acompanhe abaixo cada um deles:

1. O surgimento de uma comunidade global de voluntariado corporativo.

De acordo com o relatório, as empresas em todo o mundo adaptaram-se rapidamente à pandemia da COVID-19. Elas demonstraram a sua capacidade de sustentar de forma criativa o seu compromisso com o voluntariado e com as demandas sociais que surgiram no período.

Observa-se um crescimento, nos diversos países, de redes com as quais as empresas podem aprender e apoiarem-se em suas práticas.

Esse fortalecimento se dá de maneira global por meio das empresas globais, e também de maneira local, por meio dos esforços locais de comunidades de engajamento.

2. Resiliência em tempo de crise global

De forma geral, o campo do voluntariado corporativo mostrou grande resiliência no enfrentamento da pandemia da COVID-19 com as seguintes características:

  • Mantendo o que era viável em seus programas pré-existentes;
  • Sustentando as demandas urgentes de apoio local, identificadas pelos colaboradores em razão da pandemia;
  • Adaptando para o voluntariado virtual aquilo que era possível em suas ações vigentes;
  • Criando novas oportunidades online para além do escopo de seus programas.

Os pesquisadores perceberam que a pandemia acabou possibilitando que os colaboradores voluntários encontrassem algum equilíbrio em um mundo desestabilizado, ao sentir que são capazes de ajudar pessoas, e dar maior sustentação para as suas comunidades.

3. Expansão do guarda-chuva do Voluntariado Corporativo

O voluntariado corporativo cresceu em escopo na medida em que as empresas estão expandindo o público de voluntários para além dos funcionários próprios. Elas estão descobrindo que uma abordagem inclusiva acaba por ser uma oportunidade de construir novas comunidades, construir relações mais fortes e se torna uma maneira de expandir o compromisso com o crescimento sustentável.

Cada vez mais, as empresas estão convidando outras pessoas a juntarem-se ao seu voluntariado, como as famílias de colaboradores, aposentados, clientes e o público em geral.

Isso prova que é possível realizar o voluntariado com sucesso ampliando a força do trabalho voluntário e aumentando o alcance do impacto de suas ações.

Cada público, por sua vez, percebe os benefícios de estarem ligados a uma empresa com responsabilidade social:

  • Funcionários, especialmente os mais jovens, permanecem mais vinculados à empresa por afinidade de propósito;
  • Aposentados permanecem ativos e ligados após a aposentadoria;
  • Os consumidores têm demonstrado crescente preferência por empresas com compromissos com a sustentabilidade;
  • As cadeias de valor estão reconhecendo o valor de construir um compromisso social partilhado.


Portanto, essas novas fronteiras motivam e desafiam os gestores do voluntariado, já que são chamados a:

  • Construir novas parcerias mutuamente benéficas com clientes empresariais e fornecedores;
  • Desenvolver os sistemas, políticas e processos necessários para envolver pessoas de fora da empresa em suas atividades;
  • Criar novas mensagens para novos públicos;
  • Documentar os resultados e benefícios para todo esse público.

4. Reafirmação da relevância do Voluntariado Corporativo

O “contrato do programa de voluntariado foi renovado” devido à sua relevância.

Os benefícios do voluntariado corporativo puderam ser observados facilmente: é bom para a comunidade, bom para os funcionários que são voluntários e bom para a companhia.

Esses benefícios refletiram por toda a pesquisa, não somente como hipóteses a serem testadas, mas como verdades percebidas em uma crença consensual.

Diante disso, para a maioria das empresas, no que diz respeito ao valor agregado pelos seus esforços voluntários, o objetivo é gerir melhor os seus resultados e manter os propósitos dos programas alinhados aos das empresas.  

5. O Crescimento do Voluntariado Virtual

O relatório evidencia a adaptação que vivemos para o voluntariado online.

A disponibilidade imediata de tecnologia permitiu que as empresas se adaptassem rapidamente em resposta ao COVID-19, mudando muitos programas de voluntariado presencial para online, inventando novas oportunidades para os funcionários atuarem e mantendo o senso de conexão com a comunidade: o que é fundamental para manter o engajamento.

As ações online provaram ser ferramentas essenciais que mantiveram o voluntariado corporativo mundialmente vivo, pois, nesse momento, o mundo estava em isolamento e impossibilitado de envolvimento pessoal.

6. Aumentou o voluntariado de competências

O Voluntariado baseado em competências é talvez a forma de voluntariado corporativo que mais cresce.

Ele reconhece a amplitude das habilidades das pessoas e as maneiras pelas quais elas podem ser colocadas a serviço da comunidade.

Segundo o relatório, o voluntariado de competências é amplamente percebido como tendo maior impacto e valor, quando comparado ao voluntariado que não é projetado para tal, por exemplo, “os dias de serviço voluntário.”

 7. Surgimento de jovens colaboradores na liderança do voluntariado

As empresas participantes desta pesquisa relataram que os funcionários mais jovens tendem a ocupar uma maior proporção de voluntários do que as outras faixas etárias.

Segundo as empresas participantes, os jovens “trazem novas energias” e estão impulsionando a expansão do uso da tecnologia no voluntariado.

Desafios para o futuro do voluntariado corporativo no mundo pós pandemia

Se os programas de voluntariado tenderam a reagir nessas sete áreas durante os últimos dois anos, para o futuro as empresas conseguem também identificar quatro grandes desafios para o voluntariado corporativo:

1) Adaptar-se a um mundo pós-pandemia e reimaginar um futuro;

2) Alcançar escala: fazendo mais para maiores impactos;

3) Criar nas empresas um ecossistema que reconheça, valorize e apoie o voluntariado;

4) Fortalecer como liderança global no âmbito do voluntariado.

Percebe esses dados em sua empresa?

Você consegue perceber os dados da pesquisa no seu programa de voluntariado?

Quais deles fazem mais sentido? E quais não visualizou em sua realidade?

Conte para a gente e vamos enriquecer a leitura desse cenário.  

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