3 fatos importantes sobre voluntariado digital

O voluntariado digital nunca esteve tão em pauta. Durante esse ano de pandemia (2020), muitas vezes foi a única solução para viabilizar ações sociais de apoio a instituições e pessoas em situação de vulnerabilidade.

Eu recebi ótimas perguntas sobre o assunto para o 3º Encontro de Líderes de Voluntariado da Pró-Saúde, realizado online em 01 de dezembro, em que palestrei, e gostaria de partilhar 3 delas aqui, já que durante o ano esse assunto veio à tona algumas vezes, e esses questionamentos foram dos mais recorrentes, e também pertinentes.

Sendo assim, o que trago nesse post durante o importante mês em que se comemora o Dia Internacional do Voluntariado, são algumas reflexões, que, obviamente, não esgotam o assunto porém trazem boa parte dos esclarecimentos necessários sobre “esse tal” de voluntariado digital.

Pergunta

Quando o voluntariado digital se tornou realidade do ponto de vista nacional e internacional?

O voluntariado digital, também denominado de voluntariado à distância, cyber-voluntariado ou voluntariado online vem ganhando lugar na medida em que o mundo moderno, com o seu excesso de frequentes novas demandas, como mobilidade urbana, exige formas criativas de novos modelos para interação entre as pessoas, controle e gestão do tempo.

Uma modalidade mais antiga do que se imagina

Ao contrário do que parece, o voluntariado digital não é uma atividade tão nova assim, como teria dito minha querida amiga Mónica Galiano:

O Voluntariado Virtual não é um conceito novo. Vem sendo praticado há mais de 30 anos, provavelmente desde que nasceu a internet. A primeira ocorrência de voluntariado virtual organizado de que se tem notícia é o Projeto Gutenberg (http://www.gutenberg.org, um esforço voluntário que começou em 1971 para digitalizar, arquivar e distribuir obras literárias e culturais publicadas que continuam a ser digitadas e revisadas por voluntários on-line, hoje sob a coordenação de Distributed Proofreaders (http://www.pgdp.net)”. (Galiano, 2014, p. 38)

O modelo cresce junto com a evolução da internet

Lembro-me que o primeiro Relatório do Estado do Voluntariado Mundial realizado pelo programa de Voluntários das Nações Unidas (UNV), lançado na Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York, em 5 de dezembro de 2011, com participação de 80 países, já trazia o assunto.

“O voluntariado online, ou seja, o trabalho voluntário feito pela Internet, eliminou a necessidade de o voluntariado estar vinculado a horários e locais específicos, aumentando significativamente a liberdade e a flexibilidade do envolvimento do voluntário. O compartilhamento de informações por meio de sites de redes sociais como Twitter, Facebook e Orkut tem ajudado as pessoas a se organizarem em torno de questões que vão desde o meio ambiente até mudanças democráticas, mais recentemente em alguns estados árabes. A Internet facilita o voluntariado ao combinar os interesses das pessoas que buscam ser voluntários com as necessidades das organizações anfitriãs, por meio de programas como o serviço de Voluntariado Online de Voluntários da ONU. Ser membro de comunidades virtuais baseadas na Internet também pode gerar sentimentos de pertencimento e bem-estar”. (UNV, 2011)

Os números são expressivos

Hoje o programa de voluntariado online da UNV, por exemplo, traz números bastante expressivos:

  • 12 mil voluntários por ano
  • 187 países engajados no voluntariado online, sendo 60% de países em desenvolvimento.

Brasil x Voluntariado Digital

O Brasil acompanhou o movimento. E, em termos de voluntariado corporativo online, como exemplos de quem levantou a bandeira desse tipo de ação temos a Fundação Telefónica Vivo e o V2V.net.  

Mas durante o ano, todo mundo tentou se adaptar para fazer das suas ações, antes programadas para serem presenciais, agora, online.

2ª Pergunta

Como pensar no voluntariado a distância, levando em consideração o desafio de trabalhar com recursos finitos? Como por exemplo limitações de internet, tablets e notebooks.

Antes de tudo é preciso lembrar que, independente do modelo, o voluntariado é quase sempre uma solução de problemas por meio de recursos aparentemente escassos. Sempre foi assim, mesmo no voluntariado coletivo presencial.

Então essa pergunta pode ser interpretada assim:

Como realizar voluntariado com recursos escassos ou finitos?

Sempre exercite o olhar da abundância

A primeira percepção é sempre de escassez, mas quando olhamos para nossa rede de atuação e de parceiros, poderemos perceber que temos mais recursos do que precisamos.

Há sempre um parceiro fornecedor de internet e equipamentos, como o caso dos equipamentos informáticos, que pode e quer prestar apoio. E há sempre voluntários aptos para ações de empréstimos ou doações de recursos variados. O que não dá é para resolver tudo sozinho.

Tenho falado mais de uma vez da importância e se ativar a rede de colaboradores e parceiros. O voluntariado digital, assim como qualquer outro, implica trabalho em conjunto, para conseguir viabilizar o que se almeja.

O olhar de abundância implica em perceber que todo mundo da sua rede pode te participar de alguma forma, nem que seja indicando outros parceiros.

3ª Pergunta

O Voluntariado digital pode ser uma solução em tempos de pandemia?

O voluntariado digital seguramente vem sendo solução para as ações solidárias em tempos de pandemia. Seja no apoio aos profissionais de saúde, no apoio à economia local, na ajuda aos familiares e doentes, e na partilha de competências online .

Uma pesquisa chamada Informe: Situación Del Voluntariado Corporativo En Latinoamérica Ante El Covid-19, realizada em junho de 2020, com um total de 128 empresas em 10 países da região, mostrou que em maio desse ano, 39% das empresas ainda não sabiam quais atividades de voluntariado iriam realizar. Das empresas que já teriam definido suas estratégias, 73% das atividades atacariam os problemas gerados pelo COVID-19.

Voluntariado digital em números

A perspectiva é que 4 de 5 atividades serão virtuais, e sendo assim, 46% dos voluntários mobilizados foram (ou serão) virtuais, contra 14% em 2019.

(Fonte: Osmia)

É interessante perceber por exemplo como que, no Brasil, conforme o Bisc 2019, apenas 8% das iniciativas de voluntariado eram realizadas de forma digital e 92% das atividades eram em grupo e propostas pela empresa. Agora o cenário mudou completamente.

Artigos sobre o tema produzidos para este blog

Durante o ano fizemos uma vasta produção de conteúdo por aqui, e acompanhamos outras tantas iniciativas empreendidas por parceiros da área.

Veja alguns:

Exemplos de iniciativas de apoio digital

(Fonte:  GEVE)

Por isso o voluntariado digital está com tudo! Não porque ele é digital, ou porque é moda mas sobretudo porque a pandemia nos fez acelerar o uso das tecnologias para resolvermos problemas, e encontramos soluções ainda que em distanciamento social.

O online com certeza não substitui os laços presenciais, mas aproxima e possibilita a geração de impacto social. Tem se mostrado muito efetivo nesse momento em que precisamos estar conectados para nos mantermos resilientes.

Por isso, por falar em pessoas conectas e resilientes:

Feliz Dia Internacional dos Voluntário!

Obrigado a todos que estiveram perseverantes conosco, na manutenção de laços, de mutua-ajuda no enfrentamento de dificuldades as quais não esperávamos, mas das quais sairemos mais fortes.

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Bruno Barcelos

Bruno Barcelos

Quatorze anos de significativa experiência em gestão de projetos nas áreas de Sustentabilidade, Investimento Social Privado, e Voluntariado, empreendidos por iniciativas privadas e públicas. Além de experiência em gestão de empresas e em OSs, bem como a articulação entre parceiros dos setores diversos. Ampla experiência no desenvolvimento de assessorias, capacitações e palestras nos temas acima citados para empresas de grande, pequeno e médio porte.

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