Pesquisa Voluntariado no Brasil 2021: Resumo – parte 1

Foi lançada no dia 27 de abril de 2022 a Pesquisa Voluntariado no Brasil – 2021, uma série histórica que permite um raio-x do trabalho voluntário por diversas perspectivas.

Considero que a riqueza dos dados apresentados para os gestores, defensores, e promotores do voluntariado é tanta que vamos falar sobre os resultados em mais de um post aqui no blog, decantando-a em subtemas, a fim de aprendermos ao máximo com as informações disponibilizadas.   

Mas se você tem pressa, e ainda não viu e quer ter logo uma geral dos resultados, sugiro dar uma olhada aqui nos infográficos, que estão muito bons! Vale conferir.  

A Pesquisa Voluntariado no Brasil

A “Pesquisa Voluntariado no Brasil 2021” foi realizada pelo IDIS e pelo Data Folha, como continuidade de uma série histórica, na qual a cada 10 anos, um retrato do engajamento do brasileiro( quem são os voluntários, onde atuam e quais suas motivações) tem sido feito.

A série histórica da pesquisa

  • 2001 – Edição 1: Ano Internacional do Voluntário.
  • 2011 – Edição 2: Década do Voluntariado.
  • 2021 – Edição 3: Continuidade da série, e ano marcado pela pandemia.  

Objetivos:

A Pesquisa Voluntariado no Brasil busca:

  • Mensurar o universo de voluntários no Brasil.
  • Entender a disposição e participação dos voluntários em suas atividades.
  • Avaliar a percepção dos voluntários sobre temas relacionados ao voluntariado.

Compreensão da atividade voluntária no país

Em contexto nacional, das 2.086 pessoas com 16 anos ou mais, que responderam a pesquisa, 56% disseram já ter realizado trabalho voluntário ao longo da vida.

Sendo que destes, 34% afirmaram estar ativos em suas atividades de voluntariado – o que representa cerca de 57 milhões de brasileiros – e 12% estão engajados regularmente em suas atividades, representando cerca de 20 milhões de brasileiros.  

O que mais chama atenção nesse dado inicial, é o seu crescimento em toda a série história: o percentual de pessoas que já realizou trabalho voluntário cresceu de 18% em 2001 para os 56% de 2021, o que pode significar que o estímulo iniciado desde o Ano Internacional do Voluntário e, depois, com a década do voluntariado, tem dado certo!

Estimular o voluntariado amplifica as possibilidades de transformação.

(Os gráficos aqui apresentados pertencem à fonte: Pesquisa Voluntariado no Brasil)

(Os gráficos aqui apresentados pertencem à fonte: Pesquisa Voluntariado no Brasil)

Horas de voluntariado no Brasil   

Das horas dedicadas à atividade voluntária, o tempo médio mensal aumentou de 5 horas em média por mês para 18 horas por mês.

Considerando para tal, a mensuração do voluntariado formal, ou seja, realizado junto às instituições sociais.

A base deste dado são os entrevistados que informaram o tipo de organização/instituição na qual fazem atividade voluntária.

Fica aqui a pergunta em como poderemos, para o futuro, medir a entreajuda e o voluntariado informal, feito de maneira comunitária, e que sabemos que existe.

A quantidade média de vezes de dedicação também aumentou, subindo o número de atividades mensais de 4 para 6 vezes, e com maior frequência entre os mais velhos.

(Os gráficos aqui apresentados pertencem à fonte: Pesquisa Voluntariado no Brasil)

O perfil do voluntário em 2021

  • Gênero: A maioria continua para as mulheres, ainda que com uma diferença ligeira, elas permanecem na frente, e fica a provocação para discutirmos o voluntariado dentre os outros gêneros minoritários que cada dia ganham mais representatividade.
  • Cor/raça: A maioria se autodeclarada: 36% branca – 36% parda
  • Idade: A idade média da maioria voluntária brasileira está entre 39 e 43. E em termos de escolaridade, nos últimos anos cresceu o percentual de voluntários com ensino médio completo e com ensino superior, enquanto o número de voluntários com ensino fundamental e médio incompleto caiu pela metade.
  • Renda: A renda média da maioria de voluntários, é de até 2 salários mínimos, sendo 76% pessoas economicamente ativas.

Conexão com a internet e o mundo digital

Os voluntários estão cada vez mais conectados!

96% possuem celular, 67% possuem computador

E estão assim mais conectados:

  • Acessa a internet de 62% (2011) para 92% (2021).
  • Redes sociais de 53% (2011) para 81% (2021).

E toda essa conexão facilitou muito todo engajamento para o voluntariado online que já existia e que intensificou muito desde o início da pandemia.

Percepção sobre atitudes e impactos da atividade voluntária

Considerando os benefícios da prática do voluntariado, é quase unânime que é cheia de vantagens!

A maioria concorda que a imagem do trabalho voluntário é positiva, com destaque:

  1. Para a abertura para novas realidades, pois quando se é voluntário é possível interagir com contextos diferentes dos nossos habituais, saindo assim das nossas bolhas sociais e digitais;
  2. Para o exercício de cidadania, sendo o voluntariado organizado uma possibilidade de ser um cidadão mais participativo;
  3. E para o fato de que ser voluntário é um processo transformador e que traz inspiração para ser uma pessoa melhor.

Uma maioria também discorda do voluntariado seja uma atividade para ricos e ociosos, e da desobrigação no engajamento por tratar de questões que deveriam caber aos governos.

Ou seja, os brasileiros estão dizendo que o povo pode e deve se envolver com as questões sociais, ampliando sua participação e exercendo seus deveres enquanto cidadãos.

Causas e públicos prioritários

Na percepção sobre a contribuição das atividades voluntárias ao país, na pesquisa, a maioria avalia positivamente, principalmente para os temas da cultura de paz (ODS 16), para a colaboração para o bem comum (ODS 17), promoção da igualdade de gênero e autonomia das mulheres (ODS 5), e combate a doenças (ODS 3).

Dos públicos mais definidos, daqueles voluntários que preferem focar em determinados beneficiários, a maioria diz atuar junto a famílias e comunidades, tendo também um crescimento muito significativo para o trabalho junto das pessoas em situação de rua, e a manutenção de crianças e idosos, como sendo priorizados para o voluntariado.

(Os gráficos aqui apresentados pertencem à fonte: Pesquisa Voluntariado no Brasil)

Tipo de atividade/ação voluntária realizada

A captação e distribuição de recursos, apesar do recuo, continua sendo a atividade voluntária mais frequente, e além desta, o reparo de refeições e prestação de serviços qualificados apresentaram aumento de participação mais intenso.

É preciso assumir que há o cultivo da cultura de doação.

Os voluntários não doam apenas tempo e trabalho, mas também dizem contribuir de outras formas, como doações em geral (95%) e doações em dinheiro para causas e organizações (50%).

As prestações de serviço qualificado, a que chamamos de voluntariado de competências, ainda representa um percentual menor, mas cresceu bastante, de 3% para 10%.

Motivação e satisfação: solidariedade.  

Dos motivos para realizar atividade voluntária, a solidariedade foi tida como o principal, e motivações como as religiosas e “fazer a diferença no mundo” aparecem na sequência.

Esse destaque para a solidariedade está intimamente relacionado com os benefícios que os entrevistados trouxeram, quando citaram a relação com realidades distintas, o exercício da cidadania, e o voluntariado como sendo um processo transformador, dentre as principais vantagens da prática.

A razão para os voluntários estarem satisfeitos com suas práticas de voluntariado, tem a ver com o seu retorno pessoal:

O principal motivo da satisfação é gostar de ajudar o próximo.

E para os insatisfeitos, o que mais atrapalha no engajamento é a falta de motivação, bem como a falta de apoio e recursos.

Enquanto gestores de programa voluntariado precisamos estar atentos a esses dados

Eles trazem luz para pontos como:

– O quanto a cultura de doação não pode ser reprimida, mas aproveitada e qualificada, junto com o estímulo de um voluntariado contínuo de competências.

– O quanto a motivação para o trabalho voluntário passa pelas possibilidades de aprendizado de outras realidades, oportunidade de exercer a cidadania de uma maneira bem direcionada, e de colocar em prática o sentimento e a necessidade por solidariedade.

– O quanto a insatisfação durante o trabalho voluntário pode estar relacionada com uma frustração: seja por pensar que aquilo que se faz não faz diferença para o social, seja pela falta de apoio e recursos para concretizar aquilo que é necessário.

– O quanto os voluntários mais atuantes estão na base da pirâmide social, prontos para trabalharem horas que façam sentido e gerem aprendizado.

– Causas: o quanto que os temas de gênero precisam ser trabalhados, bem como a percepção da causa ambiental, sendo as mudanças climáticas uma urgência que precisa ser percebida.

E é isso!

Esse foi o nosso primeiro post sobre essa pesquisa com alguns insights e reflexões, mas esperamos que vocês possam trazer os seus também.

É no diálogo que nos fortalecemos.

E parabéns aos desenvolvedores da pesquisa!!!

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